A guerra entre Irã e a economia global gera estimativas severas sobre seu impacto final, dependendo do alcance e duração do conflito. Há projeções de que a crise energética atual pode superar as de 1973, 1979 e 2022, conforme alerta a Agência Internacional de Energia (AIE). A zona do euro, por sua vez, flerta com a estanflação — um cenário de estagnação econômica com alta inflacionária.
Em resposta, governos europeus implementaram subsídios e deduções fiscais temporárias. No entanto, instituições financeiras internacionais ressurgem com discursos de austeridade. A Comissão Europeia, através de Valdis Dombrovskis, pressiona por um rigor fiscal mais acentuado, enquanto o Banco Central Europeu (BCE), sob a liderança de Christine Lagarde, sinaliza a possibilidade de aumento das taxas de juros. O Fundo Monetário Internacional (FMI), com Kristalina Georgieva, ecoa preocupações semelhantes.
O risco da política restritiva
A combinação de políticas fiscais e monetárias restritivas pode levar a uma nova Grande Recessão. A União Europeia, contudo, já discute a retomada do Pacto Verde, enfatizando a importância e segurança das energias renováveis, como atestado pela Espanha. A expectativa é que, diante da evolução da crise, medidas paliativas ou de resgate sejam aplicadas.
Situação fiscal da Espanha
A Espanha apresenta uma situação fiscal mais favorável em comparação com outros países europeus. A dívida pública, que atingiu um pico de 124,2% do PIB em março de 2021, foi reduzida para 100,7% em 2025, uma queda de 24 pontos percentuais desde 2017. O déficit público também foi cumprido com folga, registrando 2,18% em 2025, o melhor resultado desde 2008.
Crescimento e controle de gastos
Esses resultados foram alcançados sem cortes sociais ou aumentos explícitos de impostos, beneficiados pelo crescimento contínuo do PIB. No último triênio (2023-2025), o PIB espanhol cresceu 3,25 vezes mais que o da zona do euro. A redução da dívida permitiu a implementação de políticas e o saneamento das contas públicas, com a prima de risco espanhola caindo para 44 pontos básicos.
Apesar dos avanços, a Espanha não está imune aos efeitos de uma zona do euro estagnada, que representa seus principais mercados consumidores. A atenção aos indicadores econômicos e à gestão fiscal permanece crucial.
Fonte: Elpais