O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciou que a Marinha americana aplicará bloqueio a navios que acessam ou deixam portos iranianos pelo Estreito de Ormuz. A medida busca pressionar o Irã a retomar negociações, visando cortar sua principal fonte de receita: a Exportação de petróleo.
O estreito é uma via vital, por onde transitava um quinto do comércio mundial de Petróleo por via marítima. A expectativa é que o bloqueio interrompa os quase 2 milhões de barris diários exportados pelo país.
Oficiais americanos declaram que o objetivo é reduzir a influência do Irã sobre a rota, que Teerã já chegou a fechar em momentos de conflito. Trump também alertou que navios que paguem pedágios não terão passagem segura e que minas na área serão desativadas.
Aplicação do bloqueio naval dos EUA
Especialistas em direito marítimo apontam que a aplicação seguirá procedimentos navais padrão, como o direito de visita e busca. Navios suspeitos de transportar petróleo iraniano poderão ser inspecionados e desviados.
Contudo, especialistas alertam para o risco de invasão de águas internacionais e interrupções prolongadas em uma rota crítica. Dados de navegação já indicam uma redução significativa no tráfego de petroleiros.
Trump advertiu o Irã contra retaliações, afirmando que embarcações iranianas que se aproximarem do bloqueio serão neutralizadas.
Impacto nas exportações iranianas de petróleo
O bloqueio pode reduzir drasticamente a capacidade do Irã de exportar Petróleo bruto, especialmente a partir do terminal de Kharg Island, responsável por mais de 90% das exportações do país. O Irã tem utilizado uma frota paralela de petroleiros e transferências entre navios para contornar sanções internacionais.
As exportações de petróleo do Irã representaram cerca de US$ 45 bilhões em 2025, correspondendo a 13% do PIB. Com poucas alternativas terrestres para desviar o fluxo, as opções de exportação não marítimas são limitadas. Mesmo o terminal de Jask, no Golfo de Omã, pode ser alvo de inspeção pela Marinha dos EUA.
A pressão sustentada dos EUA pode forçar o Irã a negociar rapidamente, dada a perda de receita.
Risco de escalada do conflito
A ameaça de bloqueio por parte de Trump gerou reações do Corpo da Guarda Revolucionária do Irã, que declarou que, se os portos iranianos fossem restringidos, nenhum porto no Golfo e no Mar de Omã estaria seguro. Isso aumenta o temor de ataques à infraestrutura energética e de transporte na região.
Especialistas americanos questionam a medida, temendo um compromisso militar de longo prazo. Dana Stroul, ex-oficial do Pentágono, comentou que a missão é difícil de executar isoladamente e provavelmente insustentável a médio e longo prazo.
Neil Shearing, economista-chefe da Capital Economics, sugere que o bloqueio visa pressionar a China a mediar um cessar-fogo e reabrir os fluxos comerciais. A China, que comprava 80-90% das exportações de petróleo bruto do Irã, tem perdas econômicas significativas.
O Ministério das Relações Exteriores da China denunciou o bloqueio como “perigoso e irresponsável”, enquanto o presidente Xi Jinping indicou a disposição de Pequim em atuar para promover a paz no Oriente Médio.
Fonte: Dw