Espanha se protege contra escassez de combustível com refinarias versáteis

Espanha se protege contra escassez de combustível com refinarias versáteis e diversificação de fornecedores, diferentemente de outros países europeus.

A guerra no Irã e o bloqueio do Estreito de Ormuz, por onde transita um quinto do petróleo e gás liquefeito mundial, criam um cenário de escassez de combustíveis. Vários países asiáticos, dependentes do petróleo do Oriente Médio, já racionam combustíveis. Na europa, a França enfrenta escassez em uma de cada cinco postos, e aeroportos alertam para falta de querosene em três semanas se o estreito não reabrir. A Espanha, no entanto, parece mais preparada para essa nova realidade.

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O diesel, o querosene e o óleo combustível são os produtos mais afetados na Europa. O diesel, em particular, tem seu preço elevado cinco vezes mais rápido que a gasolina devido à maior dependência do Oriente Médio e a gargalos nas refinarias. Na Irlanda, protestos agrícolas causados pela alta de preços levaram a bloqueios de estradas e centros de distribuição.

Na Espanha, o principal problema é o preço, não o fornecimento. A recente alta do diesel anula as reduções fiscais, elevando o preço médio para mais de 1,8 euros por litro. Especialistas do setor descartam desabastecimento a curto e médio prazo, pois a Península Ibérica está mais bem equipada que o centro, norte e leste da Europa.

Espanha bem equipada contra a crise de combustíveis

“A Espanha pode ficar mais tranquila que os vizinhos. Estamos bem diversificados quanto à origem do Petróleo e temos refinarias versáteis, capazes de processar crudos de todo tipo e origem”, afirma Gonzalo Escribano, diretor do programa de Energia e Clima do Real Instituto Elcano. O país possui capacidade de refino superior à demanda, sendo um exportador, o que oferece uma margem de segurança adicional. Contudo, um conflito prolongado por mais dois meses generalizaria os problemas na Europa.

As oito refinarias espanholas, com capacidade para processar até 1,6 milhão de barriles diários, colocam o país ao lado de alemanha e Itália em capacidade de refino. No entanto, ambos os países possuem maior população e, consequentemente, maior consumo.

Posição privilegiada no fornecimento de energia

Josu Jon Imaz, CEO da Repsol, destaca que a Espanha é o país europeu mais preparado para a situação, graças às suas refinarias e ao fato de 60% do Petróleo consumido vir das Américas. Maarten Wetselaar, CEO da Moeve, corrobora essa visão, prevendo que outros países europeus enfrentarão problemas antes.

A principal vantagem da Espanha em segurança de suprimento, apesar de não ter jazidas próprias de petróleo, é a capacidade de refinar o petróleo importado, especialmente da bacia Atlântica. Javier Estrada, da consultora NTT DATA, explica que a resiliência espanhola contra a escassez de diesel é maior que a de outros países, embora a interconexão dos mercados possa gerar um impacto global indireto.

Análise de risco e vulnerabilidade

Esteban Moreno, da Kpler, aponta que o risco de suprimento na Europa está nos destilados médios. Ele avalia que o diesel deve ser garantido mesmo com o conflito prolongado, mas o querosene é mais delicado devido a estoques menores e maior dependência do Golfo. Se o conflito se resolver em poucas semanas, o continente não deve sofrer com a falta de querosene. Caso contrário, problemas sérios são esperados.

Antes do conflito, a Espanha importava 46.000 barris diários de querosene, sendo 26.000 do Oriente Médio. O Reino Unido importava 190.000 barris, com mais de 50% de exposição à região. A França, por sua vez, importava 100.000 barris, com 76.000 provenientes do Golfo.

A produção espanhola de refinados atende a 76% da demanda interna de diesel e 80% de querosene, permitindo exportações para países como França, Itália e Marrocos. Para garantir o suprimento, algumas refinarias espanholas adiaram paradas técnicas de manutenção, visando manter a produção e aproveitar a alta demanda e preços.

As refinarias espanholas são historicamente preparadas para processar crudos de diversos tipos e origens, oferecendo flexibilidade para substituir fornecedores. Em fevereiro, cerca de 70% do petróleo e derivados importados pela Espanha vieram da América e África, com os EUA como principal fornecedor. Em contraste, muitos parceiros europeus dependem mais de regiões afetadas pelo conflito.

A urgência por suprimento elevou o preço do crudo físico, com a prima sobre o Brent superando os 20 dólares. Desde o início da guerra, o crudo físico subiu 80%, contra 60% do Brent. Petrolheiros chegam a mudar de destino em alto mar em busca de ofertas melhores, com o combustível se tornando um bem valioso.

Fonte: Elpais

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