O ex-governador do Rio de Janeiro, Cláudio Castro, viajou ao Peru com a família e convidados para assistir à final da Libertadores em novembro de 2025, em uma aeronave cuja gestão é feita pela empresa Prime. Segundo relatórios da Polícia Federal, a Prime faz parte de uma rede de corrupção ligada a Daniel Vorcaro.

Ao todo, 12 passageiros estavam a bordo, incluindo Castro, a primeira dama do Rio, o advogado Willer Tomaz e familiares.
Cláudio Castro nega qualquer ligação entre a viagem e o fato de seu governo ter realizado o maior aporte de recursos públicos no Banco Master, banco de Vorcaro. O RioPrevidência investiu cerca de R$ 1 bilhão no banco, uma operação considerada de alto risco e que contrariou recomendações técnicas. O presidente da fundação à época, Deivis Marcon Antunes, está preso.
Além da RioPrevidência, a Cedae, empresa de águas e esgotos do Rio de Janeiro, aplicou cerca de R$ 200 milhões no Master durante o governo Cláudio Castro.
O voo ocorreu em 28 de novembro de 2025, véspera da partida entre Flamengo e Palmeiras.
A Prime Aviation Táxi Aéreo e Serviços Ltda, que gerencia helicópteros e aeronaves, tem Arthur Martins de Figueiredo como um de seus sócios. Vorcaro também teria participação na empresa via fundos de investimentos, segundo investigações.
Arthur Martins de Figueiredo foi alvo de uma operação da Polícia Federal em agosto de 2025, com apreensão de seu celular. Mensagens encontradas no aparelho indicaram à PF que Daniel Vorcaro era o beneficiário final das manobras contábeis operadas por Arthur, que, para os investigadores, trabalhava para ocultar a fortuna de Vorcaro, o que as defesas negam.
O governador Cláudio Castro afirmou não conhecer Arthur e que viajou a convite de seu amigo e advogado Willer Tomaz. Castro disse conhecer Vorcaro apenas de congressos internacionais, mas que nunca conversaram sobre RioPrevidência. Ele declarou que o presidente da RioPrevidência tinha autonomia e que ele próprio só falou com Deivis Marcon Antunes duas vezes.
Castro, que nomeou Deivis Marcon Antunes, não se recorda de quem o indicou, mas fontes do Palácio apontam Rueda, presidente do União Brasil, como o responsável pela indicação. Castro mencionou que pode ter consultado Rueda, mas que não foi ele o indicado, pois recebia cerca de 500 indicações.
O advogado Willer Tomaz confirmou ser cliente da Prime, empresa que gerencia o jato Legacy, mas disse desconhecer Arthur e Vorcaro. Ele atua em casos defendendo partes contrárias ao banco Master. Tomaz explicou que a Prime, por ser responsável pela gestão, cuida da manutenção da aeronave e providencia a tripulação, mas que venderá sua parte na Sociedade de Propósito Específico devido à exposição da Prime.
O senador Weverton Rocha declarou que viajou a convite de Willer Tomaz, seu compadre, com seus filhos. Ele afirmou desconhecer a Prime e Vorcaro, e que a aeronave Legacy pertence a Willer.
A ligação entre o sócio da Prime Táxi Aéreo e Vorcaro foi descoberta durante a operação Quasar, que investigava esquemas de lavagem de dinheiro e fraudes no setor de combustíveis. Provas foram compartilhadas com a equipe da Polícia Federal que investiga o caso Master, e o episódio já é de conhecimento do STF, sob relatoria do ministro André Mendonça.
Em nota, a empresa Prime You admitiu que Daniel Vorcaro foi acionista minoritário da empresa, mas que não possui ligação societária desde setembro de 2025. A empresa informou que ele foi acionista minoritário sem atuação na gestão, no período de setembro de 2021 a setembro de 2025, e que, na época de sua entrada como sócio, não havia nada que desabonasse sua atuação.
A nota acrescenta que Arthur Martins de Figueiredo nunca foi sócio da Prime You, apenas diretor, e não faz parte do quadro de executivos há mais de um ano.
Fonte: G1