A China intensificou sua campanha de censura online com a proibição de postagens que se oponham ao casamento e à maternidade. A Administração do Ciberespaço da China determinou que as plataformas de redes sociais removam conteúdos considerados prejudiciais aos valores familiares e sociais.
A medida faz parte da campanha “Claro e Limpo”, lançada em 2019, que visa coibir publicações que “incitem maliciosamente emoções negativas”. O objetivo é criar um ambiente online positivo e pacÃfico, alinhado à s ambições estatais.
A repressão já afetou conteúdos contrários ao regime e favoráveis aos direitos LGBTQIA+. Em 2022, o órgão informou ter retirado do ar 20 bilhões de publicações.
Campanha “Claro e Limpo” e seus alcances
A Administração do Ciberespaço da China busca proibir informações que difundam “valores prejudiciais”, como a oposição ao casamento, à maternidade e paternidade, e o “antagonismo de gênero”. A comediante Xiao Pa teve seu perfil banido por publicar sobre a dificuldade de cozinhar doente por não ter apoio familiar.
O perfil foi removido por “publicar informações que incitavam o antagonismo de gênero e geravam ansiedade em relação ao casamento e a maternidade e paternidade”, segundo o Weibo.
Contexto demográfico e polÃticas estatais
A nova diretriz surge em um momento de pior taxa de natalidade na China desde 1949. Em 2025, o paÃs registrou mais mortes do que nascimentos pelo quarto ano consecutivo, um reflexo da polÃtica do filho único.
O governo chinês tem implementado medidas para incentivar o casamento e a gravidez, buscando reverter o declÃnio populacional. O primeiro-ministro Li Qiang anunciou reforço no apoio a famÃlias com o primeiro filho, visando “defender uma visão positiva sobre casamento e procriação”.
O lÃder Xi Jinping associa o rejuvenescimento da nação à modernização econômica e estabilidade social, enfatizando a necessidade de “cultivar ativamente uma nova cultura de casamento e maternidade”.
CrÃticas e interpretações da nova polÃtica
CrÃticos apontam que a campanha visa suprimir direitos das mulheres, impondo a decisão de ter filhos como um dever nacional. Especialistas veem a diretriz como um esforço do Estado para promover valores de gênero e famÃlia considerados tradicionais e manter a ordem social.
A polÃtica busca não apenas evitar expressões alternativas de gênero, mas também promover taxas de natalidade mais altas e estruturas familiares tradicionais que não desafiem o Estado.



Fonte: UOL