Autoridades de alto escalão dos Estados Unidos e do Irã se reuniram em Islamabad, Paquistão, para negociações de alto risco visando encerrar o conflito no Oriente Médio. As conversas, mediadas pelo Paquistão, ocorrem em meio a relatos conflitantes sobre a passagem de navios de guerra americanos pelo Estreito de Ormuz e advertências iranianas.





O que você precisa saber
- Relatos indicam que dois navios de guerra dos EUA passaram pelo Estreito de Ormuz, mas o Irã nega a entrada de embarcações americanas na via marítima.
- O Irã afirma que qualquer tentativa de passagem de navios militares pelo estreito será severamente punida.
- As negociações em Islamabad buscam um cessar-fogo, com foco em questões como o desbloqueio de ativos iranianos e o fim das sanções.
- O futuro do Estreito de Ormuz é um ponto crucial nas discussões, com os EUA exigindo sua abertura incondicional e o Irã buscando reconhecimento de seu controle.
- O Papa Francisco condenou a guerra, apelando por negociações de paz e criticando a “ilusão de onipotência”.
Negociações em andamento com divergências
As conversas entre as delegações dos EUA e do Irã em Islamabad continuaram, com o objetivo de alcançar um acordo para o fim do conflito. Fontes indicam que as negociações ocorrem em duas frentes: uma entre o Paquistão e os Estados Unidos, e outra entre o Paquistão e o Irã. Um formato trilateral pode ser adotado caso haja progresso.
Um dos principais pontos de discórdia é o Estreito de Ormuz. Enquanto os Estados Unidos demandam sua abertura irrestrita, o Irã busca o reconhecimento de seu controle sobre a estratégica via marítima. A Guarda Revolucionária Iraniana (IRGC) declarou que qualquer navio militar que tente atravessar o estreito será “severamente punido”, permitindo a passagem apenas de embarcações civis sob condições específicas.
Tensões no Estreito de Ormuz e declarações conflitantes
Relatos iniciais do Comando Central dos EUA (Centcom) afirmaram que dois navios de guerra americanos passaram pelo Estreito de Ormuz para iniciar operações de desminagem. No entanto, o Irã, através de sua sede central Khatam al-Anbiya, negou veementemente essas afirmações, declarando que a passagem de qualquer embarcação depende apenas da iniciativa das forças armadas iranianas.
O presidente dos EUA, Donald Trump, comentou que a passagem dos navios americanos pelo estreito não faria diferença para ele, independentemente de um acordo ser alcançado, e alertou a China sobre o envio de armas ao Irã. A mídia iraniana, por sua vez, citou oficiais da marinha que teriam advertido os navios americanos contra a entrada no estreito, ameaçando atacá-los.
Contexto diplomático e apelos pela paz
As negociações em Islamabad também abordam a situação no Líbano, com o Irã enfatizando a necessidade de um cessar-fogo. O presidente francês, Emmanuel Macron, conversou com seu homólogo iraniano, Massoud Pezeshkian, sobre a importância de restaurar a liberdade de navegação e segurança no Estreito de Ormuz.
Em um contexto mais amplo, o Papa Francisco intensificou sua condenação à guerra, descrevendo-a como alimentada por uma “ilusão de onipotência” e apelando aos líderes políticos para negociarem a paz. A Organização das Nações Unidas (ONU) também exigiu o fim das violações da lei internacional no Oriente Médio, destacando o alto número de civis mortos e deslocados, e a crescente dificuldade de acesso a serviços essenciais.

Fonte: Dw