A startup chinesa DeepSeek anunciou que reescreverá do zero o código de seu próximo modelo de inteligência artificial (IA) para funcionar exclusivamente com chips da Huawei, abandonando a americana Nvidia. A decisão sinaliza a aposta mais explícita de um laboratório chinês de ponta em que o silício nacional já é capaz de sustentar o estado da arte da IA.



Modelos de IA como o ChatGPT dependem de chips especializados, chamados aceleradores, para processar grandes volumes de operações matemáticas em paralelo. A Nvidia domina esse mercado, e Washington restringiu a venda de seus modelos mais avançados para a China, apostando que a falta de hardware de ponta impediria o avanço chinês na área.
Chips chineses avançam em capacidade
O chip Ascend 950PR da Huawei, fabricado pela SMIC, utiliza tecnologia de 5 nanômetros e oferece 1,56 petaflops de capacidade de processamento em operações de baixa precisão, essenciais para modelos de IA. Embora não seja o mais avançado do mercado, essa capacidade é quase três vezes superior à do Nvidia H200, uma versão limitada dos chips da Nvidia autorizada para exportação.
A Huawei compensa a menor largura de banda de memória e velocidade de acesso a dados em comparação com a Nvidia através de uma rede de interconexão óptica que permite conectar até 8.192 processadores em uma única máquina lógica. Essa capacidade de escalabilidade, mesmo que possível no ecossistema Nvidia, tem um custo proibitivo.
Demanda chinesa impulsiona mercado local
Com a migração do mercado chinês para chips locais, empresas como Alibaba, ByteDance e Tencent já encomendaram centenas de milhares de unidades do Ascend 950PR. Essa demanda fez os preços dos chips locais subirem em 20%.
Máquinas pré-carregadas com modelos DeepSeek estão sendo vendidas a preços significativamente mais baixos em comparação com sistemas que utilizam chips Nvidia no mercado paralelo.
Ecossistema de software chinês ganha força
A barreira tecnológica da Nvidia não reside apenas no hardware, mas também no Cuda, um ecossistema de software que fideliza desenvolvedores às suas placas. A Huawei lançou o CANN, uma alternativa de código aberto, e engenheiros da DeepSeek já demonstraram a capacidade de atingir 60% do desempenho de um chip Nvidia H100 utilizando hardware Huawei.
A resposta da China às sanções americanas foi desenvolver seu próprio hardware, otimizar o software para extrair o máximo de cada componente e treinar modelos de IA com orçamentos reduzidos. A disputa agora se concentra na otimização da engenharia industrial.
Fonte: UOL