O Brasil se consolida como um destino de destaque para o capital internacional, atraindo significativo interesse de investidores globais, conforme análise do Bank of America (BofA). O banco avalia se o país se tornou o “novo ouro” para esses investidores em seu mais recente relatório.

Em documento divulgado após reuniões com investidores em Nova York, o banco apontou que tanto o real quanto as ações brasileiras continuam superando o desempenho de outros mercados emergentes. Os investidores mantêm exposição aos ativos brasileiros em um contexto onde a América Latina é vista como uma região particularmente atrativa.
Quatro fatores impulsionam o atratividade do Brasil
O BofA identifica quatro fatores estruturais que explicam essa atratividade: os níveis historicamente baixos de alocação em ativos latino-americanos, o papel da região como fornecedora estratégica de commodities, um ambiente global de dólar mais fraco e a percepção de inflexão política em diversos países.
Especificamente no Brasil, estrategistas do banco observam que as ações e o câmbio continuam a superar as expectativas, impulsionados por fluxos estrangeiros. Parte do mercado se mostra surpresa com o comportamento do país, que por vezes é tratado como um ativo livre de risco. Ainda assim, há a avaliação de que esses fluxos externos podem persistir.
Cenário de juros e inflação exige cautela
No mercado de juros, o diagnóstico é mais cauteloso. Embora os rendimentos sejam considerados atrativos, o BofA ressalta que o aumento das projeções de inflação dificulta a aceleração do ciclo de afrouxamento monetário pelo banco central do Brasil. O próprio banco revisou sua estimativa para a inflação medida pelo IPCA em 2026, elevando a projeção de 4% para 5%, com viés de alta.
Ainda assim, o banco enxerga assimetria favorável nos juros nominais e reais, especialmente em cenários de desescalada do conflito internacional ou de um desfecho eleitoral mais benigno. Os títulos indexados à inflação também se beneficiam no curto prazo do aumento das expectativas inflacionárias.
Riscos fiscais e cenário político sob observação
No campo político, o BofA observa uma convergência gradual entre a percepção de investidores locais e estrangeiros, com menor receio de que o resultado das eleições gere uma liquidação abrupta dos ativos brasileiros. Essa leitura, no entanto, permanece condicionada ao cenário externo, em especial à manutenção do dólar em patamar fraco. O banco chama atenção para o fato de o real já operar abaixo de R$ 5 por dólar, enquanto o Ibovespa renova máximas sucessivas.
Entre os principais riscos mapeados, o relatório destaca uma eventual reversão no comportamento da moeda americana, o que poderia reacender pressões inflacionárias, limitar cortes de juros e afetar a trajetória da dívida pública. O BofA também alerta para o risco fiscal, sobretudo diante da possibilidade de novas medidas de estímulo antes das eleições de outubro.
Apesar desses riscos, a instituição reforça a avaliação de que o Brasil permanece bem-posicionado no atual contexto global, sustentando a visão de que o país segue sendo tratado por muitos investidores como o “novo ouro” dentro do universo latino-americano.
Fonte: Infomoney