O Bank of America elevou sua projeção para o IPCA de 2026 para 5,5% no fim do ano, ante 5,0% anteriormente. A revisão reflete uma expectativa de que a inflação ultrapasse o teto da meta já a partir de abril, antecipando um período prolongado fora do intervalo de tolerância.
O que você precisa saber
- O BofA revisou a projeção de inflação para 2026 de 5,0% para 5,5%.
- A expectativa é de que o IPCA saia do teto da meta já em abril.
- Inflação implícita (breakeven) do mercado segue acima das projeções, indicando prêmio de risco.
Pressões de curto e longo prazo
Segundo o relatório, essa piora reflete principalmente fatores de curto prazo. Embora as expectativas do Relatório Focus tenham subido de forma gradual, o mercado ainda vê riscos maiores. Isso aparece na chamada inflação implícita (breakeven, indicador da inflação precificada pelo mercado), que continua acima das projeções dos economistas. Para o banco, isso mostra que há um “prêmio não desprezível para o risco de alta da inflação”, ligado à incerteza sobre a persistência dos núcleos e aos choques recentes.
Um dos sinais mais claros disso é a abertura entre mercado e projeções. A diferença entre o breakeven de um ano e o Focus chegou a 1,60 ponto percentual, bem acima da média dos últimos anos. De acordo com o BofA, esse movimento indica um perfil de risco mais assimétrico, ou seja, com maior chance de a inflação surpreender para cima.
Impacto de preços administrados e energia
No curto prazo, a pressão vem principalmente de preços administrados e energia. O banco destaca que medidas para conter o repasse do diesel ajudam no momento, mas não resolvem o problema estrutural. Isso porque ainda há ajustes previstos em combustíveis, energia elétrica e outros itens regulados, que devem continuar afetando a inflação nos próximos meses.
Além disso, o cenário segue desafiador em outras frentes. O relatório aponta “alívio limitado em alimentos e pressões persistentes em serviços”, o que mantém a incerteza elevada mesmo além do curto prazo. Na prática, isso indica que a desaceleração da inflação tende a ser mais lenta.
Política monetária sob alerta
Esse ambiente também tem impacto direto na política monetária. Ao incorporar as novas projeções, o banco estima que a inflação no horizonte relevante subiu para 3,5%, ante 3,3% na última reunião do Comitê de Política Monetária (Copom). Mesmo com a leve valorização do real, para R$ 5,15 por dólar, o efeito não foi suficiente para compensar a piora no cenário.
Dentro do regime de meta contínua, o alerta aumenta. O próprio relatório afirma que, caso a inflação fique fora da banda por seis meses seguidos, será necessária uma carta aberta do banco central, algo que “provavelmente será o caso em setembro de 2026”, segundo o banco.
Fonte: Moneytimes