A Kering anunciou um plano estratégico para dobrar sua lucratividade e revitalizar a marca Gucci. A iniciativa visa responder à desaceleração recente no mercado de luxo, que impactou a empresa de forma mais acentuada que concorrentes.

O CEO Luca de Meo apresentou a estratégia, chamada “ReconKering”, que prevê mais do que dobrar a margem operacional recorrente até 2025 e elevar o retorno sobre o capital empregado para mais de 20% no médio prazo.
Reestruturação da Gucci
A estratégia inclui a reformulação ou realocação de dois terços da rede de lojas Gucci, com redução de 20% no espaço de vendas e de um terço no número de outlets. O objetivo é dobrar a densidade de vendas até 2030. A empresa também planeja reduzir o estoque em 1 bilhão de euros nos próximos 12 meses.
A companhia projeta receitas adicionais de 1 bilhão de euros em artigos de couro e bolsas até 2030. Receitas de 600 milhões de euros são esperadas em vestuário e calçados, e 500 milhões de euros em joias e relógios.
Luca de Meo iniciou medidas para reduzir a dívida, como a venda da divisão de beleza para a L’Oréal por 4 bilhões de euros em março.
Desafios e prioridades
A Gucci, principal fonte de lucros da Kering, enfrenta o 11º trimestre consecutivo de queda nas vendas orgânicas, afetada também pelo conflito no Oriente Médio. A marca busca uma identidade mais nítida e coerente, com foco em narrativas claras.
A prioridade é restaurar a desejabilidade da marca através de uma oferta de produtos mais forte. A Kering visa dobrar a contribuição de artigos de couro e bolsas até 2030, de 10% para 20%.
Fortalecimento de outras marcas
A Kering busca reduzir a dependência da Gucci, fortalecendo outras marcas como Yves Saint Laurent, Bottega Veneta e Balenciaga. Cada marca explorará suas identidades distintas, buscando sinergias no grupo.
A Saint Laurent focará em sua “autoridade de moda” e “silhueta desejável”, com reforço no mercado masculino e asiático. A Bottega Veneta será o “emblema do luxo profundo” do grupo, e a Balenciaga buscará atrair a geração mais jovem.
Analistas apontam que, apesar do histórico da Kering em reestruturações, os processos se tornaram mais complexos no setor de luxo, com pressões cíclicas e disrupções nos fluxos turísticos globais.
Fonte: Cnbc