O Banco do Brasil registrou uma queda acentuada nas contratações de crédito imobiliário lastreadas em recursos da caderneta de poupança no início de 2026. Entre janeiro e fevereiro, a instituição concedeu R$ 89 milhões, volume 91% inferior ao observado no mesmo período de 2025, quando o montante alcançou R$ 1 bilhão.
O resultado ficou abaixo da média do mercado, que apresentou retração de 7,6% no setor, conforme dados da Abecip. Com o desempenho, o banco caiu da quinta para a sexta posição no ranking de concessões, sendo superado pelo BRB.
Impacto na carteira e estratégia
A retração no segmento imobiliário reflete uma mudança na alocação de ativos da instituição. Enquanto o setor busca ampliar a fidelização de clientes, o Banco do Brasil prioriza o crédito rural, área que enfrentou desafios recentes devido à volatilidade de preços de commodities e eventos climáticos.
Em 2025, a carteira total de financiamento imobiliário da estatal recuou 3%, encerrando o ano em R$ 46,7 bilhões. A instituição informou que, considerando outras fontes como o FGTS e LCIs, o desembolso total atingiu R$ 580 milhões no primeiro bimestre de 2026.
Competitividade e taxas de juros
Analistas observam que as taxas de juros praticadas pelo Banco do Brasil, que partem de 11,74% ao ano mais a Taxa Referencial, estão superiores às ofertadas por instituições como a Caixa Econômica Federal. Adicionalmente, a migração de investidores da poupança para aplicações de maior rentabilidade impacta a disponibilidade de recursos para o financiamento habitacional.
A busca por eficiência operacional e a gestão de riscos em carteiras estratégicas, como a de crédito rural, pautam as decisões da instituição financeira diante do cenário macroeconômico.
Fonte: Estadão