Anbima aponta que brasileiros evitam investimentos por mito

Estudo da Anbima revela que mito sobre riqueza limita entrada de brasileiros nos investimentos, apesar de aumento na parcela que consegue poupar.
Gráfico demonstrando o crescimento do número de investidores no Brasil segundo a Anbima. Gráfico demonstrando o crescimento do número de investidores no Brasil segundo a Anbima.
Anbima aponta que brasileiros evitam investimentos por mito em destaque no AEconomia.news.

A percepção de que o mercado financeiro é restrito a pessoas com alto patrimônio ainda afasta grande parte da população brasileira das aplicações. Segundo o estudo Raio X do Investidor, realizado pela Anbima em parceria com o Datafolha, apenas 10% dos brasileiros realizaram investimentos em produtos financeiros no último ano, embora 33% tenham conseguido guardar dinheiro.

Barreiras culturais e falta de conhecimento

O levantamento revela que 19% dos brasileiros que pouparam recursos em 2025 optaram por manter o montante parado em contas bancárias ou fora do sistema financeiro. De acordo com Marcelo Billi, superintendente da Anbima, a crença de que investir é coisa de rico persiste mesmo entre indivíduos com capacidade financeira para acessar o mercado de capitais.

A complexidade percebida do setor também atua como um entrave. Muitos entrevistados relatam não se sentirem preparados para tomar decisões financeiras, acreditando ser necessário um nível elevado de especialização técnica. Esse cenário reflete um desafio educacional para a indústria, que busca simplificar a linguagem e conectar produtos financeiros a objetivos de vida, como a compra de um imóvel ou o custeio da educação dos filhos.

Crescimento do acesso e novos hábitos

Apesar das barreiras, o cenário apresenta sinais de mudança. A parcela da população que reserva parte do salário mensalmente subiu para 20% em 2025, ante 18% no ano anterior. Além disso, o número total de investidores no Brasil alcançou 60,6 milhões de pessoas, representando 36% da população adulta.

A estratégia de bancos digitais, que utilizam ferramentas como caixinhas e divisões por finalidade, tem auxiliado na aproximação do público com o conceito de planejamento financeiro. A meta atual do setor é demonstrar que a democratização dos serviços bancários, que hoje atinge 97% dos brasileiros, deve ser acompanhada pela inclusão efetiva no mercado de investimentos.

Fonte: Infomoney

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