O mercado brasileiro de crédito privado atravessa um período de turbulência. Desde agosto de 2025, eventos negativos envolvendo emissores de peso têm pressionado os spreads, que é a diferença de juros exigida em relação a títulos públicos, e provocado resgates em fundos da classe.

O índice IDA DI, principal termômetro do setor, já acumula abertura próxima de 50 pontos-base no ciclo. Este movimento é menos da metade do registrado no episódio das Americanas em 2023.
Especialistas do setor apontam diferenças estruturais que tornam o atual ciclo menos ameaçador. A principal delas é que 70% da abertura do IDA DI está concentrada em apenas cinco emissores, de um universo de 200. Em 2023, o choque foi difuso e generalizado.
O que você precisa saber
- A abertura do IDA DI está concentrada em poucos emissores.
- O índice IDA DI já acumula abertura próxima de 50 pontos-base no ciclo.
- Cerca de 96% dos fundos de crédito privado entregaram rentabilidade abaixo do CDI em março.
A anatomia do ciclo atual
A sequência de eventos que desencadeou a abertura começou em agosto de 2025, com o caso Ambipar, que entrou com pedido de recuperação judicial. Sempre que um papel vai de qualquer coisa para zero, ele machuca bastante a indústria, avaliou Ivan Fernandes, gestor de crédito privado da Kinea. Na sequência, vieram casos como Braskem, Cosan, Raízen — que pediu recuperação extrajudicial em fevereiro de 2026 —, Símpar e CSN. A expectativa de haircut para os credores da Raízen gira entre 35% e 40%, segundo a Kinea.
Incertezas e fundamentos sólidos
O caso da Aegea adicionou mais uma camada de incerteza. A empresa atrasou a publicação de suas demonstrações financeiras de 2025 e comunicou um acordo de leniência firmado em 2018. O papel chegou a ceder 10 pontos-base na véspera do prazo final para entrega dos balanços. Apesar dos sustos, a Aegea apresenta fundamentos sólidos. A empresa tem concessões com prazo médio restante de 30 anos, geração de caixa consistente e acionistas com capacidade financeira robusta, como Itaúsa, Equipav e o fundo soberano de Singapura, GIC.
Fonte: Infomoney