Setor de Papel e Celulose: Preços Sobem, Mas Investidores Mantêm Ceticismo

Preços da celulose sobem na China, mas investidores mantêm ceticismo devido à valorização do real e fundamentos de longo prazo preocupantes.

O setor de papel e celulose vive um momento ambíguo, com investidores demonstrando ceticismo diante das perspectivas futuras. A recente valorização do real e a cotação do dólar em patamares mais baixos, próximos a R$ 5, exercem pressão sobre as empresas exportadoras.

A XP Investimentos nota que, apesar da alta nos preços da celulose nos últimos meses, o receio predomina. Os preços líquidos na China alcançam US$ 600 por tonelada para celulose de fibra curta e US$ 700 por tonelada para celulose de fibra longa. Essa situação, combinada com pressões sobre a receita em reais, pode afetar a rentabilidade futura.

Cenários Divergentes para Fibras

A precificação de curto prazo é mais influenciada pela oferta, conforme o mercado absorve os cortes de produção em andamento, segundo a XP. Custos elevados de cavaco e químicos, além de disrupções logísticas, também pressionam o setor, com a China apresentando condições mais fracas.

O Itaú BBA aponta um cenário mais favorável para a celulose de fibra curta, que supera as expectativas. No entanto, a celulose de fibra longa continua impactada por uma dinâmica de oferta e demanda mais frouxa na China.

Perspectivas para o Segundo Semestre de 2026

O Itaú BBA projeta um segundo semestre de 2026 mais desafiador para o setor. A retomada das atividades florestais na Indonésia deve reduzir os preços de cavacos de madeira no Sudeste Asiático, diminuindo os custos de produção para fabricantes chineses. Espera-se também o início de negociações para a nova oferta de celulose do projeto OKI II da APP.

Fundamentos de Longo Prazo Preocupantes

A perspectiva de longo prazo permanece preocupante em termos de fundamentos, segundo analistas do Itaú BBA. A integração vertical de produtores chineses com novas capacidades de celulose e um possível aumento na capacidade de celulose de mercado na América Latina a partir de 2028 indicam um futuro com menor espaço de crescimento para o mercado brasileiro.

Fonte: Infomoney

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