INSS: Falhas sistêmicas causam prejuízo de R$ 233 milhões e atrasam 1,7 milhão de processos

Falhas sistêmicas no INSS geram prejuízo de R$ 233 milhões e atrasam 1,7 milhão de processos de benefícios. Problemas impactam análise de aposentadorias e pensões.

O Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) estima um prejuízo de R$ 233,2 milhões devido a falhas recorrentes em seus sistemas operacionais. Esses problemas impactam a análise e concessão de aposentadorias, pensões e auxílios, afetando diretamente a produtividade do órgão.

Uma nota técnica conjunta, com dados de dezembro de 2024 a fevereiro de 2026, indica que entre 5% e 15% das análises de benefícios foram prejudicadas. Em alguns meses, como fevereiro de 2026, o percentual de análises afetadas chegou a quase 40%, e em novembro de 2025, cerca de 30%.

O prejuízo financeiro representa o custo da remuneração de servidores que ficaram impedidos de trabalhar devido às falhas tecnológicas. Esse entrave com a Dataprev, empresa responsável pela gestão dos sistemas, é apontado como um dos fatores que contribuíram para a recente demissão do ex-presidente do INSS, Gilberto Waller.

Filas do INSS agravadas por problemas tecnológicos

As falhas tecnológicas são um dos principais fatores que contribuem para o acúmulo de processos no INSS. Durante os 15 meses analisados, aproximadamente 1,75 milhão de processos deixaram de ser analisados diretamente por conta dessas instabilidades. Isso comprometeu cerca de 15,72% da capacidade produtiva potencial do instituto no período.

O represamento de pedidos contribui significativamente para o estoque de processos pendentes, que ao final de fevereiro de 2026, alcançou a marca de 3,1 milhões de requerimentos aguardando análise. Levantamento anterior já indicava falhas nos sistemas em pelo menos 67 dias no primeiro semestre de 2025, com alguns casos de indisponibilidade por horas ou dias consecutivos.

Meses críticos e perda de produtividade

As instabilidades nos sistemas não foram uniformes, com picos de gravidade que praticamente paralisaram o funcionamento. Os meses mais afetados foram:

  • Fevereiro de 2026: 39,8% de impacto sobre a produção.
  • Julho de 2025: 38,9% de impacto.
  • Novembro de 2025: 28,6% de impacto.

Esses períodos de instabilidade reduziram drasticamente a capacidade de resposta do INSS, impactando o tempo de espera dos cidadãos por benefícios.

Responsabilização da Dataprev e próximos passos

Diante do diagnóstico, o INSS avalia o fortalecimento de medidas de gestão contratual para responsabilizar a Dataprev pelas perdas. A nota técnica sugere o encaminhamento dos autos à Procuradoria Federal Especializada para apurar fundamentos jurídicos que permitam a cobrança de prejuízos causados pelas instabilidades.

A administração do Instituto considera a regularidade dos sistemas uma condição crítica para o cumprimento de suas atribuições e para garantir o acesso tempestivo dos brasileiros aos seus direitos, além de afetar a imagem institucional e a resolutividade do serviço.

Fontes: G1 Estadão

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