Empresas familiares, que representam a maior parte dos negócios globais e geram parcela significativa do Produto Interno Bruto (PIB), enfrentam um momento crucial com a iminente transição geracional. A consultoria McKinsey aponta que essas companhias, definidas como aquelas em que o clã detém pelo menos 20% das ações ou direitos de voto e que já passaram por uma sucessão, compõem quase um quarto das grandes empresas listadas em bolsa mundialmente.

No Ocidente, a geração de baby boomers se aproxima da aposentadoria, enquanto na Ásia, o empreendedorismo floresceu nas décadas de 1980 e 1990, impulsionando a necessidade de sucessão. A gestão inadequada dessa transição pode gerar interrupções significativas nos negócios globais.
Desempenho e Vantagens das Empresas Familiares
Apesar de décadas de pesquisa, não há consenso acadêmico sobre o desempenho superior ou inferior das empresas familiares. Fatores como setor, porte e localização geográfica influenciam os resultados. Uma análise de empresas de capital aberto sugere retornos semelhantes às demais ao longo de duas décadas, com variações entre setores e países.
As empresas familiares possuem duas grandes vantagens: a capacidade de cultivar relacionamentos e uma perspectiva de longo prazo. A confiança transmitida pelo nome da família e as redes de contatos, passadas de geração em geração, são cruciais em setores como varejo e bens de consumo. Em mercados com instituições frágeis, a habilidade de fechar acordos e a influência em bancos são vitais.
Perspectiva de Longo Prazo e Resiliência
A visão de longo prazo, pensando em gerações e não em trimestres, pode tornar essas empresas conservadoras, preferindo investir em ativos tangíveis em detrimento de pesquisa e desenvolvimento. No entanto, esse conservadorismo se mostra vantajoso em períodos de volatilidade. Estudos indicam que empresas familiares superaram seus pares durante crises financeiras, como a de 2007-2009 e a pandemia de covid-19, recuperando-se com mais força devido a menor endividamento e robustas reservas de caixa.
Desafios da Sucessão e Planejamento
O principal desafio reside na gestão da transição para a nova geração, com inúmeros exemplos de herdeiros que levaram empresas à ruína. A falta de um plano de sucessão formal é preocupante, com apenas 57% das empresas familiares não cotadas em bolsa nos EUA possuindo um. A ausência desse planejamento pode levar a conflitos internos dispendiosos e à escassez de herdeiros dispostos a assumir o controle.
Para mitigar esses riscos, muitas dinastias implementam métodos informais para construir laços entre negócios e família desde cedo, como a criação de materiais com o logotipo da empresa para os recém-nascidos. Testes formais para herdeiros também são comuns, como o envio para fundar bancos em diferentes países ou o acompanhamento de ideias empreendedoras.
Formalização e Busca por Liderança Externa
Há uma crescente percepção da necessidade de formalizar o planejamento sucessório, com cursos e consultorias especializadas proliferando. No entanto, muitas vezes essas consultorias são procuradas tardiamente. A busca por liderança externa também se torna uma realidade, com menos de um terço das empresas familiares americanas de grande porte esperando que o próximo CEO seja um membro da família. Profissionais externos podem atuar como ponte até que a geração mais jovem esteja preparada.
A propriedade também pode migrar das mãos da família, com um número crescente de herdeiros considerando a venda de suas participações. A abertura de capital, a venda para concorrentes ou o recurso a capital privado são opções que podem resultar em herdeiros com liquidez, mas também em novas inspirações para a indústria televisiva.
Fonte: Estadão