As ações do GPA (PCAR3) registraram alta no pregão desta segunda-feira (13), mesmo após a companhia ter sofrido uma decisão desfavorável em tribunal arbitral. A decisão negou o pedido de bloqueio de ações do Casino Guichard-Perrachon, empresa controladora do GPA.
Por volta das 15h40 (horário de Brasília), as Ações PCAR3 apresentavam alta de 8,22%, negociadas a R$ 2,37, após atingirem uma máxima de 14,61% no dia. A analista Caroline Sanchez, da Levante Inside Corp, explica que a alta se alinha à estrutura atual da tese de investimento, pois a decisão arbitral permite que o Casino, em recuperação judicial na França, venda sua participação no GPA.
O mercado pode interpretar essa movimentação como um evento que acelera uma definição societária já esperada, uma vez que o Casino necessita de liquidez e a alienação de seus ativos no Brasil é considerada praticamente inevitável. Sanchez aponta que a decisão arbitral reduz a incerteza jurídica sobre o momento dessa saída, o que tende a diminuir o desconto por incerteza no preço da ação.
Adicionalmente, o papel vinha operando sob pressão técnica com fluxo vendedor recorrente. A analista ressalta que a saída do Casino pode melhorar a governança a longo prazo, mas o curto prazo traz incertezas sobre o novo acionista relevante e as condições da venda.
Riscos para o GPA
Luís Garcia, advogado tributarista e sócio do Tax Group, avalia que a negativa do Tribunal Arbitral ao pedido de bloqueio das Ações do Casino pode expor vulnerabilidades na recuperação extrajudicial do GPA, que acumula R$ 4,5 bilhões em dívidas. A decisão pode dificultar a proteção de ativos e a garantia de obrigações financeiras.
Garcia aponta três riscos principais: a eventual falta de garantias, que enfraquece a posição do GPA; a confiança do mercado, pois a recuperação extrajudicial pode não inspirar credores em um cenário de instabilidade acionária; e o risco de descontinuidade, com possíveis complicações nas negociações caso o Casino deixe o quadro acionário.
Recuperação extrajudicial do GPA
Em março, o GPA solicitou recuperação extrajudicial para renegociar R$ 4,5 bilhões em dívidas. Diferentemente da recuperação judicial, a extrajudicial permite negociações diretas com credores, sendo um processo mais rápido, menos burocrático e mais barato, focado em acordos voluntários.
O mercado já monitorava a pressão financeira relacionada a vencimentos de curto prazo. Antes do pedido, o GPA havia contratado consultores para buscar alternativas de melhoria em seu perfil de endividamento. Entre os credores estão nomes como Itaú, HSBC e Casas Bahia.
Fonte: Moneytimes