O Supremo Tribunal Federal (STF) iniciou o julgamento que determinará o formato da eleição para o cargo de governador do Rio de Janeiro, definindo se será direta, por voto popular, ou indireta, escolhida pelos deputados estaduais.


O foco central da discussão é o impacto da renúncia do ex-governador Cláudio Castro e as possíveis implicações políticas do processo.
Quatro ministros do STF — Alexandre de Moraes, Cristiano Zanin, Flávio Dino e Gilmar Mendes — já manifestaram apoio à realização de eleições diretas no estado.
Entenda o debate no STF
Os ministros analisarão a validade das regras para eleições indiretas estabelecidas pela Assembleia Legislativa do Rio e se estas devem ser aplicadas após a renúncia e condenação de Cláudio Castro pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE).
A divergência principal reside em determinar se a vacância dos cargos de governador e vice ocorreu por razões eleitorais — como a condenação pelo TSE — ou por outros motivos. Essa distinção é crucial para definir a forma de realização da eleição.
Críticas à renúncia e desvio de finalidade
O ministro Alexandre de Moraes, ao defender as eleições diretas, apontou um “desvio de finalidade” na renúncia de Castro, argumentando que o vácuo no Executivo estadual decorre de uma condenação eleitoral. Segundo ele, isso justificaria a aplicação do Código Eleitoral, que prevê pleito com voto popular, em vez da lei estadual de eleição indireta.
Moraes criticou a renúncia, afirmando a ausência de “explicação idônea” para o ato. Outros ministros, como Zanin, também classificaram a renúncia como um “mecanismo de burla à autoridade da Justiça Eleitoral”.
Expectativas para o julgamento
Há expectativa de que os magistrados reforcem as críticas à renúncia, em linha com o que ocorreu durante a condenação de Castro no TSE. Ministros que inicialmente acompanharam o relator Luiz Fux no julgamento virtual sobre as regras de eleição indireta podem mudar seu posicionamento para a tese de votação popular.
O ministro Fux, em decisão liminar que suspendeu trechos da lei fluminense, citou o argumento da procuradoria-geral eleitoral de que a lei estadual se aplica apenas a casos de dupla vacância por causas não eleitorais.
Ações em análise
O STF está analisando duas ações apresentadas pelo PSD. A primeira contesta trechos da lei que estabeleceu eleições indiretas no Rio para casos de vacância dos cargos de governador e vice por razões não eleitorais. A segunda pede a realização de eleições diretas após a saída de Castro do cargo.
O debate conjunto terá início com os posicionamentos dos relatores Luiz Fux e Cristiano Zanin. O STF já indicou maioria para determinar o voto secreto na eleição indireta e estabelecer o prazo de desincompatibilização em 24 horas após a renúncia do ex-governador.
A possibilidade de eleições diretas também levanta discussões sobre o cronograma. Ministros e interlocutores apontam que a eleição poderia ocorrer antes de julho ou, em um cenário alternativo, ser unificada com as eleições de outubro. Caso a eleição indireta seja validada, caberá ao presidente do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro (TJ-RJ), Ricardo Couto, convocar o pleito entre os 70 deputados da Alerj.
Fonte: Infomoney