Em Itatiaia, no Rio de Janeiro, um empresário criou uma game house onde crianças e adolescentes podem jogar videogame gratuitamente em troca de tempo dedicado à leitura. A iniciativa busca incentivar o hábito literário entre os jovens.




A regra é simples: a cada dez minutos de leitura, o frequentador recebe o dobro de tempo para jogar. Um exemplo é uma estudante que dedicou quase uma hora à leitura de um livro da saga Harry Potter e, ao final, preferiu levar o livro emprestado para casa, demonstrando o impacto da proposta.
O espaço, localizado nos fundos da casa do empresário William Santos, surgiu da observação de jovens que frequentavam o local sem condições de pagar para jogar. Antes de focar na leitura, ele tentou usar materiais recicláveis como moeda de troca, mas a ideia gerou críticas. A aposta nos livros foi vista como uma forma de gerar um impacto mais duradouro na vida dos jovens.
Atualmente, a game house atende entre 30 e 40 jovens diariamente. Muitos já incorporaram a leitura à rotina, pedindo a ficha de leitura ao chegar. O controle é feito por meio de um formulário onde os próprios usuários registram o progresso, promovendo a autogestão.
A mudança de comportamento é notável, com alguns jovens optando por ler e fazer resumos em vez de jogar, o que o empresário considera um resultado significativo para um espaço focado em games.
O acervo, com cerca de 150 livros, foi majoritariamente formado por doações, impulsionado pela repercussão nas redes sociais. O projeto acumula mais de 320 mil seguidores, ampliando seu alcance para além da comunidade local.
Para incluir crianças que ainda não sabem ler, William propõe alternativas como desenhos ou a imaginação de histórias, garantindo que ninguém fique de fora. A reação dos pais tem sido de surpresa e admiração ao verem seus filhos engajados com a leitura em um ambiente de videogame.
O empresário, que teve pouco contato com livros na infância por ter começado a trabalhar cedo e não ter concluído os estudos, busca oferecer uma oportunidade que ele próprio não teve. A game house funciona desde 2019, e a troca entre leitura e jogo foi implementada no final de 2023, transformando o local em um ponto de encontro cultural.
O local opera de segunda, terça, quinta e sexta-feira, das 14h às 20h. A renda para manter a estrutura vem principalmente da venda de alimentos e bebidas. A conta de energia, que representa um desafio financeiro, chega a quase R$ 700. Apesar das dificuldades, William Santos reafirma seu compromisso com o projeto, acreditando no impacto positivo que ele terá no futuro das crianças.
Fonte: UOL