O BTG Pactual projeta um cenário de consumo seletivo para o primeiro trimestre de 2026 (1T26), com alavancagem operacional limitada, mas com ligeira melhora em relação ao período anterior. A equipe de analistas do banco observa que o segundo semestre de 2025 foi de desaceleração em segmentos como vestuário, com perspectiva mais fraca para o varejo alimentar e desempenho resiliente em farmácias.






Taxas de juros elevadas e o alto endividamento das famílias continuam restringindo o poder de compra. A inflação acumulada nos últimos anos também elevou os preços, reduzindo a acessibilidade real.
Para o 1T26, o BTG destaca o varejo farmacêutico, a Smart Fit (SMFT3), a Track&Field (TFCO4) e a Petz (AUAU3) como potenciais de desempenho positivo. Por outro lado, o varejo alimentar e empresas de e-commerce aparecem na ponta negativa.
Desempenho do varejo alimentar e farmacêutico
O varejo alimentar é apontado como o segmento mais fraco, com crescimento modesto de vendas de mesmas lojas (SSS) e margens estáveis, refletindo a pressão sobre o consumo. O Grupo Mateus (GMAT3) apresenta crescimento reportado, mas impulsionado por aquisições e com rentabilidade ainda relativamente baixa.
Em contraste, o varejo farmacêutico se destaca. A RD Saúde (RADL3) entrega crescimento de receita e expansão de margem, sustentados pela demanda por GLP-1. A Panvel (PNVL3) também mostra forte SSS e ganhos de margem, reforçando a qualidade de resultados do setor.
Recuperação no varejo discricionário e e-commerce
No varejo discricionário, o vestuário exibe sinais iniciais de recuperação. Lojas Renner (LREN3) apresenta melhora gradual, com crescimento de receita e ganhos modestos de SSS. A Riachuelo (RIAA3) se destaca no ritmo de vendas, enquanto a C&A (CEAB3) deve crescer em receita líquida de vestuário.
No e-commerce, o Mercado Livre (MELI34) lidera o crescimento, mas com diluição de margens devido a reinvestimentos. Magazine Luiza (MGLU3) e Casas Bahia (BHIA3) apresentam tendências mistas, com demanda online fraca e resiliência nas lojas físicas.
Posicionamento estratégico
O BTG prefere empresas de alta qualidade com crescimento consistente e forte histórico de execução, como varejistas farmacêuticos, SmartFit e nomes discricionários premium como Track&Field e C&A. A postura é mais cautelosa em relação a empresas cíclicas e alavancadas, onde a visibilidade ainda é limitada.
Fonte: Moneytimes