O presidente Donald Trump suspendeu temporariamente a ameaça de retaliação contra o Irã, após uma intervenção do Paquistão ter mediado um cessar-fogo de duas semanas. A decisão ocorreu após um período de alta tensão que afetou a economia global e evidenciou a capacidade militar de ambos os lados.


A estratégia de Trump de intensificar o discurso parece ter sido eficaz para alcançar uma saída negociada. Essa abordagem, que ignora convenções e adota exigências maximalistas, pode reforçar a crença do presidente de que táticas imobiliárias são aplicáveis à geopolítica.
A trégua representa uma vitória tática que, espera-se, normalizará o fluxo de petróleo e outros produtos pelo Estreito de Ormuz, aliviando os mercados que temiam uma recessão global. No entanto, as questões fundamentais que desencadearam o conflito permanecem sem solução.
Tensões subjacentes e riscos persistentes
A situação deixa um governo teocrático, com forte influência da Guarda Revolucionária, no comando de uma população sob pressão e um regime que, apesar de mudanças, mantém controle. O programa nuclear iraniano, incluindo material próximo ao grau de bomba, continua sendo um ponto de atenção.
Aliados no Golfo Pérsico foram alertados sobre a vulnerabilidade de suas infraestruturas críticas, como plantas de dessalinização, a mísseis e drones iranianos. Os preços da gasolina, que dispararam durante o conflito, agora testam a promessa de Trump de retorno aos níveis anteriores.
A base política de Trump também se mostra dividida, com críticas sobre o envolvimento em conflitos de difícil resolução no Oriente Médio.
Desafios para um acordo duradouro
O Irã demonstrou capacidade de resistir a ataques e conduzir uma guerra assimétrica, afetando o fornecimento de petróleo e a infraestrutura digital dos EUA. Trump agora enfrenta o desafio de justificar o conflito e garantir que o Irã renuncie ao controle do Estreito de Ormuz e à possibilidade de desenvolver armas nucleares.
O plano de 10 pontos submetido pelo Irã, que inclui o reconhecimento do direito de enriquecer urânio, a retirada de forças americanas e o fim das sanções, serve como ponto de partida para negociações. A diferença entre as visões de paz do Irã e dos EUA é significativa, exigindo um complexo malabarismo diplomático.
A negociação ocorre sob a ameaça de uma retomada das hostilidades, em contraste com o acordo nuclear de 2015, que foi negociado em tempos de paz. O sucesso de Trump em obter resultados melhores do que os acordos anteriores, como a retirada de urânio enriquecido e a limitação de mísseis, é incerto.
Perspectivas e riscos futuros
O fracasso em alcançar um acordo que limite o arsenal de mísseis iranianos ou que garanta a retirada de urânio enriquecido representaria um resultado inferior ao obtido pelo governo Obama. Além disso, um acordo que consolide a autoridade do novo governo iraniano pode trair os anseios do povo.
A mudança de discurso de Trump, de incentivar levantes populares a negociar com o governo, levanta dúvidas. Especialistas alertam que a situação pode resultar em um cenário pior do que o inicial, com o Irã mantendo controle sobre pontos estratégicos de energia.
Fonte: Infomoney