Enquanto o presidente dos Estados Unidos ameaça uma civilização inteira de morte, o autor Rui Tavares reflete sobre a liderança política e o sonho cosmopolita. A fala presidencial evoca descrições antigas sobre excelência na liderança, como as de Xenofonte em sua obra “A educação de Ciro”.



Xenofonte descreveu três qualidades principais em Ciro, o Grande: a experiência militar compartilhada com seus soldados, a observação atenta dos seres humanos e a capacidade pedagógica. Ciro, apesar de suas falhas, sabia explicar suas ações aos subordinados, atuando também como professor.
Em contraste, a liderança mundial atual, exemplificada por Donald Trump, parece ter substituído essas qualidades pelo oposto. Trump é descrito como um líder que envia tropas para a guerra após ter mentido para escapar delas, sem capacidade de observar além da própria vaidade e incapaz de explicar os objetivos de conflitos que declara ter vencido repetidamente.
Paralelamente a esse cenário, a humanidade vive um momento extraordinário com a missão Artemis. A viagem espacial em torno da Lua, com cooperação internacional e tripulação multinacional, representa um avanço significativo. Diferente das missões anteriores, marcadas pela competição, a Artemis ocorre em um contexto de colaboração, somando-se aos avanços em inteligência artificial e tradução simultânea.
Esses desenvolvimentos poderiam augurar um salto para o entendimento humano, concretizando o antigo sonho cosmopolita. A missão Artemis traz fotografias da Terra vistas do espaço, que, segundo o astronauta Edgar Mitchell, deveriam fazer a política internacional parecer mesquinha. A esperança é que essas imagens, mais avançadas que as da Apollo 14, possam impulsionar a humanidade em direção ao entendimento cosmopolita defendido por Kant.
Fonte: UOL