A instalação de sistemas de energia solar e o uso de bombas de calor estão permitindo que consumidores nos Estados Unidos reduzam significativamente suas contas de eletricidade e se protejam contra interrupções no fornecimento. Brian McGowan, da Pensilvânia, espera que suas despesas com energia sejam ainda menores este ano após instalar painéis solares adicionais, após ter gasto cerca de US$ 150 em eletricidade no ano passado. Ele também utiliza uma bomba de calor para aquecimento, dispensando o uso de óleo.



McGowan relata que seu sistema, que inclui armazenamento de bateria, o protege contra apagões. Em uma ocasião, enquanto seu bairro ficava às escuras, sua casa permaneceu com energia, apenas com uma pequena oscilação. Ele prevê que a demanda crescente por energia, especialmente de data centers, pode aumentar a frequência de interrupções no futuro.
Dados da Administração de Informações de Energia dos EUA (EIA) indicam que, em 2024, os consumidores experimentaram uma média de 11 horas de interrupções no fornecimento, o dobro da média anual da década anterior. Um estudo da Universidade de Stanford sugere que 60% dos lares poderiam se beneficiar financeiramente da combinação de energia solar e armazenamento em bateria para resistir a apagões.
Economia e estabilidade com energia própria
A economia potencial para os proprietários que produzem sua própria energia depende de vários fatores. Entre eles estão a capacidade de geração no local, os custos de instalação (incluindo painéis solares e baterias), o preço do quilowatt-hora cobrado pela concessionária e a forma como a energia excedente é creditada na rede. Em esquemas de compensação, como o net metering, a energia devolvida à rede é creditada pelo mesmo valor da tarifa de varejo. Já o net billing credita pelo preço de atacado.
O tempo de retorno do investimento varia consideravelmente. Em estados com fortes créditos de energia solar renovável, o retorno pode ocorrer entre 2 a 5 anos. Em locais sem esses incentivos ou com mercados de eletricidade menos caros, o período pode se estender de 7 a 11 anos. O custo atual da eletricidade para o consumidor é um fator determinante nesse cálculo.
Adoção crescente e benefícios ambientais
Cerca de 5 milhões de residências nos EUA já possuem painéis solares em seus telhados, representando aproximadamente 1 em cada 30 lares. Esse crescimento é observado em todos os estados do país. Além dos benefícios financeiros, a estabilidade energética proporcionada pelo controle da própria geração de energia é um fator motivador para muitos.
Apesar de mudanças em políticas de incentivo fiscal, como as promovidas pelo ex-presidente Donald Trump, diversos estados ainda oferecem créditos fiscais para a instalação de sistemas solares. Financiamentos podem estar disponíveis através de bancos locais, e em alguns casos, o leasing de equipamentos é uma opção.
Alguns estados têm implementado políticas que desincentivam a compensação da energia excedente injetada na rede, levando alguns consumidores a optar por sistemas com baterias para se desconectar parcialmente da rede. A recomendação para quem considera a instalação é incluir baterias no sistema.
Especialistas também aconselham a realização de uma auditoria energética na residência para identificar e corrigir vazamentos, tornando a casa o mais eficiente possível. A conversão de eletrodomésticos e sistemas de aquecimento para modelos elétricos, combinada com tecnologias como trocadores de calor para água de drenagem, pode otimizar ainda mais o consumo.
A decisão de investir em energia solar deve considerar tanto o benefício econômico quanto a resiliência que o sistema confere à residência durante interrupções no fornecimento de energia.



Fonte: Dw