As autoridades do Federal Reserve (Fed) já sabiam, na reunião de março, que a guerra aumentaria a inflação no ano. A ata do encontro, divulgada nesta quarta-feira, detalha os riscos que o banco central dos EUA vê surgirem do conflito.
Quando o Fed se reuniu em 17 e 18 de março, os preços do petróleo já haviam subido significativamente. Praticamente todos os formuladores de política monetária incluíram uma inflação mais alta em suas projeções econômicas atualizadas.
O presidente do Fed, Jerome Powell, mencionou que vários cenários foram incluídos na discussão de março. Esses cenários, que detalham como o Fed analisa situações imprevisíveis, podem ser apresentados na ata.
Powell afirmou em coletiva de imprensa que a situação é incerta e que não se deve presumir um desfecho específico quanto à duração da guerra e seus efeitos no crescimento econômico e nos preços.
Em março, o Fed manteve a taxa de juros estável, indicando uma possível pausa prolongada nos cortes de juros esperados para o ano. Investidores não preveem mudanças na taxa até o final de 2027.
Preocupações com a inflação
Em janeiro, algumas autoridades já demonstravam preocupação com a inflação, que parecia estagnada acima da meta de 2% do Fed. Havia indicações de que aumentos nas taxas poderiam ser necessários.
A ata pode indicar se a tendência se move nessa direção, com os banqueiros centrais avaliando se o choque do petróleo representa um risco maior para a meta de inflação ou para o crescimento e o emprego.
Projeções e cenários alternativos
Na reunião, os formuladores de política monetária aumentaram suas perspectivas para a inflação de 2026. O índice geral de preços do Consumo Pessoal (PCE) deve encerrar o ano em 2,7%, acima dos 2,4% projetados anteriormente.
Pesquisas indicam que essa estimativa pode ser baixa. Cenários alternativos, com o bloqueio de rotas marítimas por mais tempo, poderiam levar o petróleo a patamares mais altos e adicionar até 1,47 ponto percentual à inflação dos EUA.
Preocupações intensificadas
Mais de cinco semanas após o início do conflito, as autoridades intensificaram suas preocupações com a inflação. Um aumento surpreendente nas contratações em março aliviou, por ora, as preocupações com um mercado de trabalho fraco.
O presidente do Fed de Chicago, Austan Goolsbee, expressou preocupação com a trajetória da inflação, citando tarifas e o choque estagflacionário como fatores preocupantes.

Fonte: Infomoney