Salários na Espanha: Inflação e Mercado de Trabalho Limitam Ganho de Poder de Compra

Inflação e mercado de trabalho limitam ganho de poder de compra dos salários na Espanha, que ficam atrás de outros países europeus. Saiba mais.

A alta inflação e o aquecido mercado de trabalho na Espanha resultaram em um dos menores ganhos de poder de compra para os salários na Europa no último ano. Dados da Eurostat indicam que o salário por hora trabalhada na Espanha avançou 3,2% em 2024 e 2025, um aumento que superou a inflação média de 2,7% em apenas meio ponto percentual. Este desempenho coloca a Espanha entre os países com os resultados mais modestos da União Europeia, ao lado de Dinamarca e França.

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Especialistas apontam que o chamado “efeito composição” pode ter influenciado o resultado. Em períodos de crescimento do mercado de trabalho, com a incorporação de novos trabalhadores, geralmente em posições salariais mais baixas, o salário médio pode ser impactado negativamente. A Espanha, por exemplo, adicionou meio milhão de novos trabalhadores em 2025, contribuindo significativamente para o emprego na UE.

Evolução Salarial em Convenções Coletivas

Uma análise mais detalhada, observando os salários acordados em convenções coletivas, sugere um cenário ligeiramente mais positivo. Os salários teriam melhorado 3,5% no acumulado de 2025, o que resultaria em um ganho de poder de compra de 0,8 pontos percentuais. Embora superior aos dados da Eurostat, este número ainda mantém a Espanha em uma posição de destaque na Europa.

Em outras grandes economias europeias, como França e Dinamarca, os ganhos de poder de compra também ficaram abaixo de um ponto percentual. Na Itália e Alemanha, países que registraram perda líquida de empregos no ano passado, os salários ganharam 1,1 e 1,4 pontos percentuais em poder de compra, respectivamente. No entanto, esses números são modestos quando comparados a Chipre, com ganhos de quase 17 pontos, ou Croácia, com cerca de 12 pontos.

Custo Salarial e Inflação na Espanha

O avanço anual de 3,2% no custo salarial espanhol, conforme registrado pela Eurostat, baseia-se na Pesquisa Trimestral de Custo Laboral do Instituto Nacional de Estatística. Tanto os órgãos oficiais espanhóis quanto os europeus confirmam que os salários têm crescido de forma sustentada, mas com aumentos que apenas superam a inflação. A inflação na Espanha, influenciada pelo dinamismo de sua economia e mercado de trabalho, tem se mantido acima da média europeia, dificultando a recuperação do poder de compra perdido em 2022.

A estatística espanhola de convenções coletivas indica que, em 2025, cerca de 4,4 milhões de assalariados do setor privado melhoraram seu poder de compra, enquanto aproximadamente 2 milhões o perderam. Outros 3,7 milhões mantiveram seu poder aquisitivo, assim como os 3,1 milhões de empregados do setor público.

Impacto do Salário Mínimo e Desigualdade Salarial

Os aumentos do salário mínimo por decreto têm impulsionado as remunerações mais baixas nos últimos anos. De 2021 a 2024, o decil mais baixo de empregados viu um avanço de 25,4% em seus salários, comparado a 14,3% no quinto decil e 12,9% no grupo de maior remuneração. Contudo, a inflação acumulada no mesmo período foi de 12,1%, o que significa que apenas os salários mais baixos ganharam poder de compra significativo. Além disso, o índice de preços ao consumidor não reflete o aumento do custo de compra de imóveis, um fator que os sindicatos pedem que seja considerado na negociação coletiva.

O governo espanhol demonstra preocupação com o baixo crescimento salarial. O presidente Pedro Sánchez destacou a importância de aumentar as remunerações, especialmente quando os lucros das empresas e a economia estão em crescimento, criticando a resistência de alguns setores em promover aumentos salariais.

Comparativo Salarial Europeu

A Eurostat aponta que o salário por hora trabalhada na Europa varia significativamente, desde 49,7 euros em Luxemburgo até 10,5 euros na Bulgária. A Espanha, com 19,5 euros, situa-se abaixo da média da União Europeia (26,2 euros), mas acima de países como Polônia, Grécia e Romênia. O custo total por hora trabalhada para o empregador, incluindo cotizações sociais, também mostra disparidades, com Luxemburgo liderando e a Bulgária na lanterna. A Espanha apresenta um custo total de 26,4 euros por hora, ligeiramente acima da média da UE (34,9 euros).

A Espanha também está acima da média comunitária na proporção do custo total que não é destinado ao salário do trabalhador, mas sim a cotizações sociais. Essa parcela representa 26,2% na Espanha, enquanto a média da UE é de 24,8%. Países como França, Suécia e Itália apresentam percentuais maiores, enquanto Malta, Lituânia e Romênia têm os menores.

Fonte: Elpais

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