Executivos do setor financeiro avaliam que um novo modelo de funding, com menor dependência da poupança e maior uso de captações de mercado, deve sustentar o crescimento do crédito imobiliário em 2026. A expectativa é de uma expansão entre 10% e 15% em relação a 2025, segundo o Bradesco BBI.
Apesar de um início de ano com originação tímida, com aumento próximo de 2% na comparação anual, a projeção é de aceleração gradual. A perspectiva de queda nos juros, mesmo que lenta, tende a destravar decisões de longo prazo, como a compra de imóveis, aumentando o apetite dos consumidores.
Demanda habitacional impulsiona o setor
A necessidade real por habitação no Brasil continua sendo um motor importante para o mercado imobiliário. Mesmo com mudanças no perfil dos compradores, como a preferência de jovens por outros modais de transporte, a busca por imóveis permanece elevada.
Em 2025, as originações de crédito imobiliário somaram aproximadamente R$ 324 bilhões, com a Caixa Econômica Federal respondendo por cerca de 75%. No entanto, esse montante representa apenas 10% do PIB, um patamar considerado baixo em comparação a outros mercados internacionais.
Fontes de captação se fortalecem
Do lado da oferta, a estrutura de funding (captação de recursos) também demonstra força para suportar o crescimento do setor. A poupança tem apresentado melhora, com redução no ritmo de saídas, e o FGTS continua sendo uma fonte relevante para o financiamento habitacional.
Mudanças recentes nas regras de direcionamento e a liberação de compulsório ampliaram a capacidade dos bancos em conceder crédito, permitindo taxas mais competitivas e condições menos restritivas.
Crédito imobiliário como produto estratégico
Bancos privados apostam no crédito imobiliário como um produto estratégico, mesmo com margens mais pressionadas. Embora a rentabilidade direta seja menor, o financiamento é central no relacionamento com o cliente, contribuindo para fidelização e retenção.
Com prazo médio de cerca de 11 anos, o produto aumenta o uso de outros serviços financeiros pelo cliente, apresentando baixa inadimplência e alta liquidez.
Fontes: Globo Moneytimes