A instabilidade geopolítica no Estreito de Ormuz, por onde circula 20% do petróleo mundial, introduziu um novo fator de custo no mercado global: o “risco Ormuz”. Apesar de um cessar-fogo frágil entre Estados Unidos e Irã ter aliviado momentaneamente os preços do barril, as cotações permanecem elevadas, oscilando entre US$ 85 e US$ 95, bem acima dos patamares pré-conflito de US$ 60 a US$ 65.
O governo brasileiro, por meio dos ministérios da Fazenda e de Minas e Energia, tem buscado mitigar o impacto dessa volatilidade no bolso do consumidor. Pacotes de subvenções foram anunciados, incluindo R$ 1,20 por litro para importadores de diesel e R$ 0,80 por litro para produtores. No entanto, essas medidas geram desorganização no mercado e na governança da Petrobras.
Internamente, a diferença entre os preços internacionais e os praticados no Brasil ainda é significativa. Para o diesel, a defasagem chega a 15% a 20%, mesmo com a subvenção. Na gasolina, o percentual é de cerca de 10%. Essas subvenções, contudo, têm prazo de validade de dois meses, o que coincide com o início do calendário eleitoral.
A extensão dos subsídios após esse período poderia gerar um rombo considerável no Tesouro Nacional. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva tem sido alertado sobre a dificuldade em manter os preços dos combustíveis artificialmente baixos sem comprometer o orçamento. A recente demissão do diretor de logística da Petrobras, Claudio Romeo Schlosser, após críticas do presidente a um ágio em leilão de GLP, evidenciou uma interferência política direta na estatal, gerando preocupações sobre a autonomia da empresa e a gestão fiscal.
Fonte: Estadão