Guerra no Irã e juros altos adiam retomada de IPOs na Bolsa

Guerra no Irã, juros altos e eleições adiam retomada de IPOs na Bolsa. Compass é a principal aposta, mas Aegea enfrenta desafios.

A expectativa de uma forte retomada nas ofertas públicas iniciais de ações (IPOs) na Bolsa nos próximos meses esbarra em um cenário de incertezas globais, especialmente a guerra no Irã e a persistência de juros altos. Investidores e banqueiros avaliam que a janela para novas listagens se tornou mais restrita, reduzindo o número de empresas que conseguirão estrear no mercado acionário.

Havia uma expectativa de que 2026 marcasse o fim de um jejum de mais de quatro anos sem novas empresas na Bolsa brasileira. Embora fintechs como Agibank e PicPay tenham listado ações no exterior no início do ano, a perspectiva agora é que poucas empresas nacionais consigam realizar seus IPOs.

O que você precisa saber sobre IPOs

  • A guerra no Irã e a alta dos preços do petróleo impactam os custos globais de energia e a inflação brasileira, afetando o ritmo de corte de juros.
  • O ano eleitoral no Brasil e as eleições de meio de mandato nos EUA também geram turbulências.
  • Investidores estrangeiros, que historicamente absorvem grande parte dos IPOs, têm mostrado um comportamento mais volátil.
  • Empresas com operações mais previsíveis e proteção contra inflação, como as do setor de infraestrutura, podem ter mais chances.

Compass é a aposta principal

Entre as empresas com planos de IPO, a Compass, do grupo Cosan, é a mais citada por gestores como uma operação com alta probabilidade de sucesso. A empresa de gás e energia é vista como bem estruturada, com contratos regulados e previsibilidade de resultados, características procuradas por investidores globais.

No entanto, o preço de captação é um ponto de atenção. Enquanto corretoras e bancos testam um valor de mercado entre R$ 22 bilhões e R$ 23 bilhões, gestoras e fundos pedem algo mais próximo de R$ 20 bilhões a R$ 21 bilhões. Um acordo em torno de R$ 22 bilhões, com um desconto razoável em relação a pares, seria bem aceito pelo mercado.

Aegea e outras ofertas enfrentam desafios

A Aegea, companhia de saneamento, é vista com mais restrições pelo mercado. A necessidade de capital e um balanço menos saudável podem gerar um descompasso maior entre vendedores e compradores, dificultando a operação.

Ofertas menores, na casa de R$ 1 bilhão, e empresas ligadas a setores como consumo básico, construção civil e varejo poderiam atrair investidores estrangeiros em um cenário mais positivo, com a Bolsa em patamares mais altos e sem conflitos geopolíticos.

Perspectivas e exigências futuras

Especialistas apontam que, mesmo com a resolução da guerra, a janela para IPOs pode ser curta devido às eleições. A expectativa é que, quando o mercado reabrir, a exigência sobre as empresas seja maior do que no ciclo de 2020-2021, quando a Selic estava em seu piso histórico. Negócios menos fundamentados e histórias de crescimento a qualquer custo devem dar lugar a operações mais sólidas e sustentáveis.

A necessidade de reequilibrar balanços, muitas vezes endividados devido aos juros altos, impulsiona empresas a buscar capital no mercado acionário. A expectativa é que, com a redução da pressão sobre custos de energia, as transações possam ser retomadas antes do previsto, embora o segundo semestre ainda seja o período mais provável para operações mais expressivas.

Gráfico mostrando a evolução do Ibovespa.
O desempenho do Ibovespa e o fluxo de recursos estrangeiros eram fatores positivos para a retomada de IPOs.
Prédio da B3, bolsa de valores brasileira.
A B3 aguarda a retomada das ofertas públicas iniciais de ações.

Fonte: UOL

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