Pela primeira vez desde sua fundação, o PT não apresentará um candidato próprio ao governo do Rio Grande do Sul. Sob pressão do presidente Luiz Inácio Lula da Silva e com a ameaça de intervenção, o partido abriu mão de liderar a chapa e optou por apoiar a ex-deputada Juliana Brizola, do PDT.
O acordo foi selado após interferência direta de Lula, pois o PDT exigiu o aval petista ao nome de Juliana Brizola como contrapartida para aderir à campanha presidencial. Após protestos e críticas à interferência do Palácio do Planalto, Edegar Pretto, ex-presidente da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), desistiu de sua candidatura.
A expectativa é que Pretto assuma a vice-presidência na chapa liderada por Juliana, neta do ex-governador Leonel Brizola. No entanto, o PSOL, que apoiava Pretto, discorda do acordo com o PDT e sinaliza a possibilidade de deixar a aliança.
Em resolução política aprovada recentemente, o PT determinou que a estratégia política no Rio Grande do Sul seja definida em conjunto com o PDT e partidos aliados, sob a liderança de Juliana Brizola. A frente de oposição é composta por PDT, PT, PSB, PSOL, PCdoB, PV e Rede.
“Não há nada mais importante que a reeleição do presidente Lula”, afirma um trecho do documento aprovado pela Executiva Nacional petista.
Divergência interna sobre a decisão
A decisão gerou críticas de Valter Pomar, dirigente da corrente Articulação de Esquerda e diretor da Fundação Perseu Abramo. Pomar divergiu publicamente do ex-ministro José Dirceu, que defendeu a aplicação da política nacional ao Rio Grande do Sul.
Dirceu argumentou que o caso gaúcho não configurava uma intervenção, citando exemplos de outros estados onde o PT apoiará candidatos de outros partidos em nome da aliança nacional. Ele criticou a desqualificação do debate político e as acusações indevidas contra a pré-candidata do PDT.
Pomar rebateu Dirceu, comparando a situação a uma intervenção ocorrida no PT do Rio de Janeiro em 1998, quando o partido, sob a presidência de Dirceu, retirou o candidato Vladimir Palmeira para apoiar Anthony Garotinho ao governo fluminense, em troca do apoio do PDT a Lula.
Repercussão e cenário eleitoral
Edegar Pretto buscou amenizar a crise após anunciar sua desistência, afirmando que a frente política se apresentará unida. O PT governou o Rio Grande do Sul em períodos anteriores e administrou a Prefeitura de Porto Alegre por 16 anos. Um dos argumentos contra o apoio a Juliana Brizola foi a participação do PDT no governo de Eduardo Leite (PSD), classificado como “neoliberal e de direita”.
Eduardo Leite, que cogitava disputar a sucessão de Lula, decidiu permanecer no governo gaúcho após ser preterido pelo PSD. Ele agora busca emplacar seu vice, Gabriel Souza (MDB), como candidato ao governo. Pesquisa recente indica Luciano Zucco (PL) na liderança, seguido por Juliana Brizola e Edegar Pretto.
Fonte: Estadão