A produção nacional de cerveja registrou um aumento de 9% em fevereiro, em comparação com o mesmo período do ano anterior, segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Apesar do desempenho acima do esperado, o mercado demonstra cautela em relação à Ambev (ABEV3).
Analistas do Morgan Stanley apontam que, embora a melhora sequencial entre janeiro e fevereiro tenha sido impulsionada pelo Carnaval, março será crucial para avaliar o crescimento real. Caso o aumento se mantenha, as projeções da Ambev podem superar a expectativa de queda de 6% do banco.
O Bradesco BBI avalia que a Ambev constrói uma narrativa qualitativa mais positiva para 2026. O setor de cervejas, aliado a possíveis ganhos de participação de mercado, pode impulsionar a recuperação da companhia, especialmente com bases comparativas mais favoráveis.
Incertezas na recuperação do setor
A magnitude da melhora ainda gera incertezas. O Carnaval antecipado pode distorcer as comparações mensais. Dados da Heineken indicam quedas nas vendas ao consumidor final (sell-out) em fevereiro, com recuo de 2,2% na comparação anual e 1,2% no acumulado do ano, segundo a Nielsen. Essa tendência sugere um cenário subjacente negativo.
Apesar das preocupações, o BBI projeta uma tendência de volumes melhor para o primeiro trimestre de 2026 em comparação com 2025. Contudo, para a Ambev, o banco estima uma queda de um dígito baixo nos volumes, devido a comparações mais desafiadoras.
O Goldman Sachs espera uma queda de 4% nos volumes da Ambev no primeiro trimestre. Embora a melhora durante o Carnaval seja notada, a produção subjacente tem permanecido em território negativo. O banco não prevê impacto material no preço das ações, pois essa situação já era esperada pelo mercado.

Fonte: Infomoney