Petroyuan ganha força em meio à guerra no Oriente Médio

Guerra no Oriente Médio impulsiona o uso do petroyuan, desafiando a hegemonia do dólar em pagamentos internacionais e transações de petróleo.

A guerra no Oriente Médio pode impactar a hegemonia do dólar nos pagamentos internacionais, com o yuan chinês emergindo como alternativa. Relatos indicam que parte do petróleo e gás natural que atravessou o Estreito de Ormuz nas últimas semanas foi paga em yuanes ou criptoativos, em vez de dólares, segundo análise do Deutsche Bank. O conflito pode ser um catalisador para a redução das reservas em dólar por parte de países autossuficientes em energia e Defesa.

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O renminbi se tornou uma chave para contornar o bloqueio do Estreito de Ormuz. Teerã estaria negociando com Iraque, Paquistão e Bangladesh permissões de trânsito em troca de taxas. Uma proposta de cessar-fogo definitivo inclui o controle do estreito e um possível pedágio para a reconstrução do país.

O objetivo de Teerã é criar um sistema de pedágio para gerar receita, aprofundar laços com parceiros estratégicos e pressionar os Estados Unidos a longo prazo. A quantia estimada varia entre um e dois dólares por barril.

A exigência de pagamentos em yuanes por parte de Teerã é significativa. O dólar americano domina o mercado energético e os pagamentos internacionais desde 1974, quando Richard Nixon instruiu o Secretário do Tesouro a negociar com países do Golfo Pérsico para estabilizar os preços do petróleo e manter a influência americana.

Naquele ano, Estados Unidos e Arábia Saudita estabeleceram a base para a era dos petrodólares. O reino saudita concordou em precificar o petróleo exclusivamente em dólares em troca de apoio militar e econômico, e em reinvestir seus excedentes em títulos americanos. Essa decisão incentivou outros membros da OPEP a adotarem o dólar, consolidando-o como a moeda de referência no comércio de petróleo.

O domínio do petrodólar se estendeu por décadas. O acordo entre EUA e Arábia Saudita criou um ciclo autorreforçável: a necessidade de energia implicava a necessidade de dólares. Atualmente, cerca de 80% do petróleo mundial é negociado em dólares. Além disso, as moedas de países do Conselho de Cooperação do Golfo estão atreladas ou vinculadas ao dólar, conectando o ecossistema financeiro desses exportadores à moeda americana.

Apesar da hegemonia do dólar, pequenas mudanças ocorrem no mercado energético. Tensões internacionais levaram o Irã a vender 80% de seu petróleo para a China, preferindo o yuan para evitar sanções. Além disso, a Arábia Saudita participa do projeto mBridge, uma plataforma de pagamentos transfronteiriços com moedas digitais de bancos centrais que permite liquidações sem passar pelo Swift ou pelo dólar. O yuan digital domina 95% do volume desta plataforma, liderada pela China.

Outro sistema que avança é o CIPS (Sistema de Pagos Interbancários Transfronterizos) da China, lançado em 2015. Ele compete com o Swift e tem registrado um aumento nas transações diárias desde o início da guerra no Oriente Médio. Esses sistemas alternativos enfraquecem o poder das sanções financeiras, proporcionando ao Irã canais para manter receitas petrolíferas e fluxos comerciais.

O Yuan no Cenário Global

O yuan chinês é a sexta moeda mais utilizada para pagamentos globais, com 2,7% de participação em fevereiro, segundo a Swift. O dólar americano detém 49% e o euro, 23%. Nos mercados financeiros, o domínio do dólar é ainda maior, com 82%. Além disso, 99% das stablecoins são denominadas em dólares.

Embora a probabilidade de uma mudança radical que destrone o dólar das transações internacionais seja baixa, eventos como o atual servem de catalisador para transformações graduais. A China tem um papel crescente no comércio internacional e uma alta dependência energética do Oriente Médio, enquanto os EUA se tornaram exportadores líquidos de energia.

A China busca fortalecer sua divisa internacionalmente, mas enfrenta desafios como o controle governamental, restrições de saída de capitais e um sistema financeiro não totalmente liberalizado. Apesar disso, o presidente Xi Jinping afirmou a necessidade de estabelecer uma moeda forte para garantir seu status como reserva global. Atualmente, o peso do dólar nas reservas mundiais é de 56,8%, enquanto o renminbi representa apenas 2%.

Fonte: Cincodias

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