O primeiro trimestre de 2026 apresentou um desempenho expressivo para a Bolsa brasileira, com a Petrobras (PETR4; PETR3) alcançando marcos históricos. As ações PETR3 avançaram 65,52%, o melhor resultado desde o primeiro trimestre de 1999, enquanto PETR4 subiu 57,92%, o maior ganho desde o quarto trimestre de 1999. Esse movimento contribuiu significativamente para a alta de 16,35% do Ibovespa no período, a melhor performance desde o final de 2020.






Um levantamento da Elos Ayta indicou que o trimestre foi marcado por um rali amplo, mas concentrado em vetores específicos. Vinte ações se destacaram nos índices Ibovespa, Small Caps e IDIV, combinando exposição a commodities, reprecificação de ativos domésticos e recuperação de setores cíclicos.
A alta do petróleo acima de US$ 100, impulsionada por tensões geopolíticas, gerou forte fluxo de caixa e revisão positiva de expectativas para o segmento de energia.
Diversificação do Rali
O desempenho do trimestre foi além do setor de petróleo, com outras histórias de destaque:
- Commodities e ciclo global:CBAV3 (+46,24%) refletiu o movimento dos metais, enquanto SLCE3 (+31,14%) e SMTO3 (+40,21%) capturaram a força do agronegócio em um cenário de preços resilientes.
- Consumo e reprecificação doméstica:NATU3 (+40,13%) e ASAI3 (+31,97%) sinalizaram melhora na percepção do consumo e na execução operacional.
- Setores sensíveis a juros e ciclo interno:Incorporadoras como MDNE3 (+38,49%) e TEND3 (+27,04%) anteciparam um ambiente econômico menos restritivo.
- Serviços e educação:SEER3 (+34,93%) e ANIM3 (+29,91%) demonstraram recuperação em setores que estavam sob pressão, com forte componente de reprecificação.
- Defensivos e fluxo:CSMG3 (+32,51%) e TIMS3 (+29,46%) reforçaram o papel de utilities e telecomunicações como destinos de capital em momentos de incerteza.
- Infraestrutura de mercado:B3SA3 (+36,20%) acompanhou o aumento de volumes e o giro observado no trimestre.
Análise do Cenário
Esse mosaico setorial evidencia que, apesar do protagonismo do petróleo, o rali não foi unidimensional. Houve rotação de ativos, dispersão e um retorno do apetite a risco em diversas camadas do mercado. A composição dos índices reforça essa leitura, com ações de diferentes perfis, combinando liquidez, beta elevado e papéis mais defensivos.
O ponto central, contudo, permanece: a Petrobras impulsionou o mercado e redefiniu referências históricas. Os dados indicam que o trimestre foi moldado pelo alinhamento de diversos vetores macro e microeconômicos.
A questão que se coloca para o futuro é se, com o petróleo mantendo-se acima de US$ 100, o conflito geopolítico persistindo e parte dos preços ainda não repassada ao mercado interno, especialmente no caso da Petrobras, haverá espaço para nova valorização das empresas de energia. Ou se o mercado já precificou o cenário atual.
Fonte: Moneytimes