A política externa agressiva de Donald Trump, tanto economicamente quanto militarmente, tem gerado reações inesperadas. Embora muitas nações tenham cedido às exigências americanas, algumas encontraram formas eficazes de retaliar, testando seu controle sobre pontos estratégicos e ameaçando a economia global.
Um exemplo notório é o Estreito de Ormuz, uma rota marítima crucial que transporta um quinto do petróleo e gás mundial. O Irã, apesar de representar uma pequena parcela da economia global, controla essa passagem vital. O bloqueio da rota, após ataques americanos e israelenses contra o Irã, elevou os preços da gasolina e gerou apreensão em setores produtivos dos EUA.
Outra estratégia de retaliação surgiu com a China. Após Trump impor tarifas globais, Pequim implementou um sistema de licenciamento para exportações de minerais de terras raras e ímãs. Esses materiais são essenciais para a fabricação de carros, semicondutores e outros produtos que sustentam a indústria americana, conferindo à China um controle sem precedentes sobre o sistema de manufatura global.
Fabricantes americanos, que dependem desses minerais processados na China, enfrentam dificuldades com o esgotamento de suprimentos e a redução da oferta. A China tem cortado exportações para empresas ligadas às Forças Armadas dos EUA, forçando-as a buscar fornecedores alternativos.
A situação ressalta uma verdade inconveniente para o presidente americano: apesar do poderio econômico dos EUA, seus laços intrínsecos com o resto do mundo podem levar a consequências negativas. A estratégia de retaliar a coerção econômica americana, como demonstrado pelo Irã e pela China, parece ser uma lição aprendida por outras nações.
A intensificação do antagonismo americano por Trump, utilizando ferramentas como tarifas e ataques militares, tem levado outros países a responderem de maneiras economicamente destrutivas para forçá-lo a recuar. A forma como o Irã e a China lidam com a pressão americana pode influenciar o futuro das relações comerciais globais.
Fonte: Estadão