Oncoclínicas registra R$ 3,67 bilhões em prejuízo e aponta incertezas

Oncoclínicas reporta prejuízo líquido de R$ 3,67 bilhões em 2025, com capital circulante negativo e adiamentos em tratamentos devido à falta de medicamentos.

A Oncoclínicas encerrou o ano de 2025 com um prejuízo líquido de R$ 3,67 bilhões, representando um aumento de 11% em comparação com as perdas de R$ 717 milhões registradas em 2024. O capital circulante da empresa ficou negativo em R$ 2,31 bilhões, indicando que a companhia possui mais obrigações de curto prazo do que ativos para cobri-las.

A maior parte das dívidas, R$ 3,2 bilhões, refere-se a empréstimos e financiamentos. Débitos com fornecedores somam R$ 1,10 bilhão e têm impactado diretamente os pacientes, com relatos de adiamentos em sessões de quimioterapia, radioterapia e imunoterapia em unidades da rede.

A consultoria Deloitte apontou que o resultado é consequência do não atingimento de índices financeiros em contratos de empréstimos e debêntures, o que pode levar ao vencimento antecipado dessas obrigações e pressionar a liquidez da companhia.

Em relatório, a diretoria da Oncoclínicas admitiu um cenário de “incertezas significativas da continuidade operacional”, citando perdas de R$ 430,8 milhões com investimentos no Banco Master e a inadimplência da Unimed Ferj, no valor de R$ 861 milhões.

O aumento do endividamento foi atribuído às condições macroeconômicas de 2025, como a alta da taxa de juros e o aumento da inadimplência, que deterioraram os índices financeiros. A diretoria também informou que as fontes de recursos atuais podem não ser suficientes para cobrir as necessidades futuras de capital e o cumprimento de compromissos, avaliando potenciais aportes de capital.

Pressão e busca por soluções

A Oncoclínicas confirmou que avalia medidas judiciais para proteção temporária contra a cobrança de credores. A companhia busca se resguardar diante do risco de descumprimento de índices financeiros que regem contratos com bancos e debêntures, o que poderia levar à execução das dívidas.

Uma das alternativas em negociação é um aporte de R$ 500 milhões do grupo Porto Seguro, com a criação de uma nova empresa para abrigar as clínicas de oncologia. O acordo prevê que a Porto Seguro teria controle majoritário da nova entidade e parte da dívida da Oncoclínicas poderia ser transferida.

O grupo Fleury também aderiu ao termo de compromisso não vinculante para participar do negócio. Paralelamente, o fundo Mak Capital Fundo, que detém 6,3% das ações da companhia, propôs um aporte de R$ 500 milhões, condicionado à destituição do conselho de administração.

Tratamentos adiados

Os problemas financeiros da Oncoclínicas têm levado ao adiamento de consultas, procedimentos e sessões de terapia. Pacientes e familiares relatam, em redes sociais, justificativas de “indisponibilidade temporária de estoque de alguns medicamentos”.

Relatos indicam que a falta de medicamentos tem levado ao reagendamento de sessões de imunoterapia e quimioterapia, gerando apreensão e frustração em pacientes com câncer, que já lidam com a complexidade da doença e a necessidade de logística para o tratamento.

A Oncoclínicas reconheceu a instabilidade no abastecimento de determinados medicamentos e afirmou que está implementando medidas para a normalização progressiva do fornecimento.

Fontes: Infomoney Moneytimes

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