Justiça autoriza venda da participação da Oi na V.tal para fundos do BTG Pactual

Justiça autoriza venda da participação da Oi na V.tal para fundos do BTG Pactual, encerrando disputa judicial sobre oferta abaixo do mínimo.

A Justiça do Rio de Janeiro autorizou a venda da participação da Oi na V.tal, empresa de redes de fibra óptica, para fundos geridos pelo BTG Pactual. A decisão encerra uma disputa judicial sobre a oferta, que ficou abaixo do mínimo previsto e foi rejeitada pela maioria dos credores financeiros.

A juíza Simone Chevrand, da 7ª Vara Empresarial do Rio, determinou o fim da disputa, que se arrastava há semanas. A venda abrange a participação de 27,5% da Oi na V.tal, principal ativo remanescente da empresa para abater dívidas.

No leilão realizado em março, os fundos do BTG Pactual ofereceram R$ 4,5 bilhões à vista. O valor ficou 63% abaixo do piso de R$ 12,3 bilhões estabelecido no edital. A oferta inclui ainda um adicional de R$ 500 milhões, condicionado a eventos futuros de liquidez.

O plano de recuperação judicial da Oi exigia a aprovação de ao menos 60% dos credores que concederam empréstimo emergencial. No entanto, 92,1% recusaram a venda nos termos propostos, incluindo fundos como Pimco, SC Lowy e Ashmore.

Decisão judicial e justificativas

A juíza Simone Chevrand reconheceu a legitimidade da recusa dos credores, mas também considerou os direitos da empresa em recuperação e de outros credores. Ela acatou o laudo da assessoria financeira G5, que apontou R$ 4,5 bilhões como um valor justo para o ativo, com base em avaliações de mercado.

A magistrada argumentou que a recusa dos credores em aceitar a oferta, considerada razoável e justa, configurou um exercício de irracionalidade econômica, tornando-a abusiva e de má-fé. Com a decisão, a V.tal ficará sob o controle total dos fundos do BTG Pactual, que já detinham a maioria acionária.

Posicionamentos das partes envolvidas

O Ministério Público havia se oposto à oferta, considerando-a insuficiente para quitar as obrigações remanescentes da Oi. Os fundos do BTG Pactual apresentaram argumentos como a participação minoritária da Oi na V.tal, a baixa liquidez das ações e a necessidade de pagamento à vista.

A Oi e o gestor judicial Bruno Rezende defenderam a oferta, citando o laudo da G5 Partners. Escritórios que administram e fiscalizam o processo de recuperação judicial também se manifestaram favoravelmente. Um comitê de credores trabalhistas também aceitou a proposta, vendo nela uma oportunidade para saldar dívidas.

Fonte: Estadão

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