Moody’s rebaixa rating do BRB e mantém em revisão para novo corte

Moody’s rebaixa rating do BRB para CCC+.br e mantém em revisão para novo corte, citando necessidade de capital e perdas com Banco Master.

A agência de risco Moody’s Local Brasil rebaixou os ratings de emissor e de depósitos de longo prazo do Banco de Brasília (BRB) de “BBB-.br” para “CCC+.br”, mantendo a classificação em revisão para novo rebaixamento. O rating de depósitos de curto prazo também foi reduzido de “ML A-3.br” para “ML C.br”.

O rebaixamento reflete a provável necessidade de injeção de capital, intensificadas pela ausência de um plano de recomposição após perdas com ativos adquiridos do Banco Master, ainda em fase de apuração por auditoria forense contratada pelo banco.

O BRB vem sendo pressionado pelo reconhecimento de perdas relacionadas a operações com o Banco Master, que estão sendo analisadas desde a deflagração da Operação Compliance Zero, da Polícia Federal (PF). O próprio BRB contratou uma auditoria forense para apurar o tema.

A Moody’s avalia que o BRB pode precisar de reforço relevante de capital para manter sua solvência. Um plano anterior previa captação de até R$ 6,6 bilhões, com uso de imóveis vinculados ao Governo do Distrito Federal (GDF), mas enfrenta entraves jurídicos.

Uma assembleia que discutirá o aumento de capital de R$ 8,8 bilhões, por meio de subscrição privada de ações, foi remarcada para o dia 22.

“O patamar atual de rating reflete a nossa visão de que a qualidade de crédito do BRB é muito fraca em relação a outras entidades nacionais e provavelmente está perto de ‘default’, sem a concretização de um aporte de capital”, informa a Moody’s.

A agência também destacou a ausência de divulgação de demonstrações financeiras recentes, o que aumenta incertezas relacionadas à sua saúde financeira e posição patrimonial. A Moody’s aponta risco de desenquadramento de índices regulatórios, com possibilidade de sanções ou intervenção pelo Banco Central (BC).

A análise aponta possíveis impactos negativos sobre liquidez e captação, diante do aumento das incertezas e da deterioração da percepção de risco. A agência informou que os ratings não incorporam mais suporte do controlador, citando dificuldades do GDF em realizar aportes necessários.

A manutenção dos ratings em revisão considera a falta de visibilidade sobre o plano de capital e os desdobramentos das investigações em curso. Segundo a Moody’s, “a falta de visibilidade de um plano de capital pode configurar um cenário extremamente negativo para a continuidade dos negócios do banco”.

Os ratings podem voltar a ser rebaixados caso as investigações apontem perdas financeiras relevantes adicionais, sem indicação de que o controlador consiga recapitalizar o banco, ou caso haja sanções regulatórias ou eventual intervenção. A Moody’s cita que uma piora na percepção sobre a governança corporativa pode enfraquecer substancialmente os fundamentos dos ratings.

Fonte: Globo

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