O líder da União Democrata-Cristã (CDU) da Alemanha, Friedrich Merz, gerou controvérsia ao sugerir que 80% dos refugiados sírios na Alemanha deveriam retornar ao seu país nos próximos três anos. A declaração, feita após uma reunião com o presidente interino da Síria, Ahmed al-Sharaa, provocou reações imediatas e críticas de políticos e especialistas.






Merz afirmou que estava apenas transmitindo o desejo de al-Sharaa, mas o próprio presidente sírio negou ter feito tal solicitação, segundo a tradução oficial do evento. A situação escalou a ponto de ameaçar se tornar um incidente diplomático.
Críticas de oposição e aliados
Luise Amtsberg, do Partido Verde, classificou as declarações de Merz como “fora da realidade e cínicas”, ignorando a situação de segurança na Síria e a integração de muitos refugiados na sociedade alemã. Políticos da coalizão governista também expressaram preocupação. Anke Rehlinger, premiê do estado de Saarland (SPD), alertou que o chanceler não deveria criar expectativas irrealistas.
Roderich Kiesewetter, especialista em política externa da CDU, destacou a importância dos sírios na área da saúde na Alemanha. “Se eles retornarem, teremos um problema”, disse ele, ecoando a preocupação da Federação Alemã de Hospitais, que aponta os médicos sírios como o maior grupo de médicos estrangeiros no país.
Números e realidade da migração síria
Atualmente, cerca de 1,2 milhão de pessoas de origem síria vivem na Alemanha. A maioria chegou após o início da guerra civil em 2011. Muitos possuem proteção subsidiária, permitindo a permanência enquanto houver ameaça em seu país de origem. A Alemanha retomou deportações para a Síria em 2025, após a queda do regime de Bashar Assad.
Especialistas consideram irrealista a repatriação em massa em apenas três anos. A meta de Merz pode impactar negativamente as chances de reeleição de seu partido, especialmente diante da ascensão da extrema-direita.
Reações da comunidade síria
A comunidade síria na Alemanha reagiu com indignação e desespero. Nahla Osman, advogada e especialista em direito migratório, calculou que a meta de Merz exigiria a deportação de cerca de 730 pessoas por dia, um cenário logisticamente inviável. Ela sugere que a declaração é mais um sinal político interno do que uma estratégia viável.
Um programa de incentivo à repatriação voluntária, com auxílio financeiro, foi implementado em 2025. No ano passado, 3.678 sírios aderiram a essa iniciativa.
Fonte: Dw