Maurício Camisotti confessa fraudes em descontos do INSS e assina delação com a PF

Maurício Camisotti, preso por fraudes no INSS, confessa esquema e assina acordo de delação premiada com a Polícia Federal.

O empresário Maurício Camisotti, preso desde setembro sob suspeita de operar fraudes em descontos de aposentadorias do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS), admitiu a existência das irregularidades e assinou um acordo de delação premiada com a Polícia Federal (PF).

Camisotti é apontado como um dos principais operadores do esquema, que foi alvo da Operação Sem Desconto. A negociação do acordo de delação estava em andamento desde o final do ano passado, e a defesa do empresário já enviou o material ao ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), responsável pela homologação.

Com o acordo, há a expectativa de que Camisotti obtenha o direito à prisão domiciliar. A delação, que é a primeira da investigação, também deverá passar pela Procuradoria-Geral da República (PGR), embora a negociação tenha sido conduzida apenas com a PF.

As acusações contra o empresário incluem fraude na arrecadação de dívidas e corrupção para facilitar o esquema. Para firmar o acordo, Camisotti precisou confessar crimes e apresentar provas, indicando outras figuras envolvidas e fornecendo documentos e conversas.

O escândalo dos descontos indevidos em aposentadorias e pensões ganhou notoriedade em abril do ano passado, com a primeira operação conjunta da PF e da Controladoria Geral da União (CGU). Investigadores suspeitam que entidades ligadas aos descontos e empresas prestadoras de serviço foram usadas como fachada para lavagem de dinheiro.

Empresas associadas a Camisotti receberam transferências da Ambec (Associação de Aposentados Mutualista para Benefícios Coletivos), uma das principais entidades investigadas. Entre 2023 e 2025, o INSS repassou quase R$ 400 milhões à Ambec. Relatórios indicam que Camisotti sacou R$ 7,2 milhões em dinheiro vivo em 11 retiradas, e outros R$ 285 mil de sua conta, levantando suspeitas de burla à fiscalização financeira.

Em março, um desdobramento da investigação determinou a prisão de outros dois suspeitos e a instalação de tornozeleira eletrônica na deputada Gorete Pereira (MDB-CE), que nega irregularidades. Outros envolvidos, como o ex-procurador-geral do INSS Virgílio Antônio Ribeiro de Oliveira Filho e o ex-diretor de Benefícios André Fidélis, também estão sob investigação e negociam acordos de colaboração.

Fontes: UOL Estadão

Adicionar um comentário

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Imagens e vídeos são de seus respectivos autores.
Uso apenas editorial e jornalístico, sem representar opinião do site.

Precisa ajustar crédito ou solicitar remoção? Clique aqui.

Publicidade