O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) declarou nesta sexta-feira (10) que o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, está “ameaçando todo mundo”. Lula fez a declaração durante uma visita ao novo prédio do Campus Sorocaba do Instituto Federal de São Paulo.
“O mundo está difícil. O Trump está aí ameaçando todo mundo. Trump não sabe o que é um pernambucano. Senão ele não vai fazer ameaça nunca aqui. Se ele soubesse da minha descendência com Lampião ele tomava muito cuidado. Se ele soubesse o que é um nordestino nervoso ele não brigaria com o Brasil. De qualquer forma, não queremos guerra. Queremos paz”, disse Lula.
O presidente reforçou que o Brasil é um país de paz e que busca “ter acesso a cultura, passear, estudar, namorar, brincar”. “Quem quiser guerra, vai para o outro lado do planeta porque aqui somos a terra de paz e do amor. Aqui somos a terra de quem não tem medo de ser feliz.”
Nesta sexta-feira, Donald Trump voltou a elevar o tom contra o Irã, afirmando que eles “só estão vivos hoje para negociar” e ameaçou reagir caso as conversas fracassem. O Irã, por sua vez, impôs condições para avançar no diálogo. Representantes dos dois países se reúnem a partir deste sábado (11), no Paquistão, em meio a um cessar-fogo frágil.
O petista já havia feito uma declaração semelhante no início do ano, quando afirmou, em tom de brincadeira, que se o presidente norte-americano soubesse do seu “parentesco com Lampião” não provocaria o Brasil.
A ideia inicial era que um encontro entre Lula e Trump na Casa Branca ocorresse em março, mas a viagem permanece sem data definida. Um dos motivos para o adiamento foi o agravamento da guerra no Oriente Médio e as dificuldades para fechar a pauta bilateral.
Diante da falta de expectativa para a visita de Lula à Casa Branca, o Ministério da Fazenda anunciou que está em fase de conclusão de uma parceria entre a Receita Federal e o U.S. Customs and Border Protection (CBP), a agência de fronteiras dos Estados Unidos, para o combate ao crime organizado transnacional. A iniciativa, denominada Projeto MIT (Mutual Interdiction Team), visa integrar esforços de inteligência e operações conjuntas para interceptar remessas ilícitas de armamentos e entorpecentes.
Conflito no Oriente Médio
Nesta quarta-feira (8), o Ministério de Relações Exteriores divulgou um comunicado comemorando o cessar-fogo entre os Estados Unidos e o Irã, pedindo que os países evitem se engajar em ações “retóricas” e defendendo a inclusão do Líbano no acordo. O posicionamento do governo brasileiro foi emitido um dia após o governo de Donald Trump e o regime dos aiatolás chegarem a um consenso, de duas semanas, sobre o Estreito de Ormuz.
“Expressa satisfação com a perspectiva de negociações para estabelecimento de acordo de paz abrangente”, diz a nota do governo. “A fim de resguardar um ambiente que conduza à redução de tensões e evite nova escalada, o Brasil conclama as partes a não se engajarem em ações de natureza militar ou retórica”, acrescentou.

Fonte: G1