Representantes dos Estados Unidos e do Irã iniciaram negociações em Islamabad, Paquistão, neste fim de semana, em meio a acusações mútuas de violação de um cessar-fogo temporário. A equipe americana, liderada pelo vice-presidente JD Vance, busca um acordo, mas autoridades da Casa Branca expressam ceticismo quanto à reabertura imediata do Estreito de Ormuz.
O presidente do Parlamento iraniano, Mohammad Baqer Qalibaf, e o ministro das Relações Exteriores, Abbas Araqchi, condicionaram o início das conversas à inclusão dos ataques de Israel ao Hezbollah no Líbano e à liberação de ativos iranianos bloqueados por sanções. Essas exigências podem impactar as negociações, que representam o encontro de mais alto nível entre os dois países desde a Revolução Islâmica de 1979.
O conflito iniciado no fim de fevereiro causou o maior choque no fornecimento de petróleo já registrado, gerando temores de inflação, insegurança alimentar e risco de recessão global. O presidente dos EUA, Donald Trump, busca uma saída para o conflito antes das eleições de meio de mandato.
Casa Branca cética em relação às negociações
Autoridades da Casa Branca, falando sob condição de anonimato, indicaram ceticismo sobre o sucesso das negociações. Há dúvidas sobre a capacidade da equipe iraniana de negociar de forma significativa e sobre a possibilidade de o Estreito de Ormuz ser reaberto com facilidade. O Irã insiste que qualquer cessar-fogo também abranja a guerra de Israel no Líbano.
A proposta iraniana para as negociações inclui exigências como o fim das sanções econômicas e o reconhecimento de sua autoridade sobre o Estreito de Ormuz. Por outro lado, Washington busca o abandono do programa de enriquecimento de urânio e de mísseis iranianos, além da interrupção do apoio a aliados regionais.
Grandes lacunas entre as propostas
A proposta de 10 pontos apresentada pelo Irã difere significativamente do plano de 15 pontos de Washington, indicando grandes lacunas a serem preenchidas. O Irã exige novas concessões, como o fim das sanções e controle sobre o Estreito de Ormuz. Os EUA, por sua vez, pedem o fim do enriquecimento de urânio, o abandono do programa de mísseis e a libertação de cidadãos americanos detidos no Irã.
A ex-diplomata Barbara Leaf alertou para o alto risco de escalada entre EUA e Irã, destacando que a pressão causada pela interrupção no fornecimento de energia e alta nos preços da gasolina nos EUA confere ao governo iraniano um alto grau de confiança.


Fonte: Infomoney