O presidente Luiz Inácio Lula da Silva nomeou Márcio Elias, até então número dois do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (Mdic), como novo titular da pasta. A mudança ocorre após o afastamento de Geraldo Alckmin para se dedicar às eleições deste ano.


A nomeação de Elias já era esperada e dependia de confirmações. A exoneração de Alckmin foi publicada no Diário Oficial horas antes da oficialização do novo ministro.
Márcio Elias é formado em Direito e doutor em Direito do Estado pela PUC-SP. Atuou como membro do Ministério Público e foi secretário de Justiça e da Cidadania no Governo do Estado de São Paulo, além de presidente da Fundação Casa. Ele ocupava a Secretaria-Executiva do Mdic desde janeiro de 2023.
Inicialmente, o nome de Márcio França, então ministro do Empreendedorismo, também foi considerado para a vaga. No entanto, França deixou o governo para uma possível candidatura ao Senado por São Paulo, um cenário que ainda está em debate com o presidente Lula.
Na semana anterior, Lula havia sinalizado a aliados a possibilidade de oferecer o posto no Mdic a França, visando evitar uma candidatura dele ao Governo de São Paulo contra a chapa de Fernando Haddad. França já havia manifestado interesse em concorrer ao governo estadual.
Com a saída de França do Mdic, a equipe de Lula agora avalia a composição da chapa política em São Paulo. O cenário inclui Simone Tebet como pré-candidata ao Senado pelo PSB, partido de França, e a possível candidatura de Marina Silva à segunda vaga de senadora pelo estado.
Interlocutores do PT indicam que Lula deu liberdade a França para escolher entre a candidatura ao Senado ou a vice-presidência na chapa de Haddad, além da possibilidade de comandar o Mdic. A candidatura de França ao Senado, segundo esses relatos, não criaria impasses com outras candidaturas, podendo haver um remanejamento de nomes, como a inclusão de Tebet como vice de Haddad.
Juntamente com a nomeação do novo chefe do Mdic, Tadeu Alencar foi oficializado como novo ministro do Empreendedorismo, substituindo França. Neste caso, a pasta também ficou sob o comando de seu número dois.
Relatos sugerem que a escolha de Tadeu Alencar desagradou França, que teria preferência por Mauricio Juvenal, Secretário Nacional de Ambiente de Negócios da pasta. Alencar é ligado ao prefeito do Recife, João Campos (PSB), o que teria gerado insatisfação em França.
Durante as discussões sobre a reestruturação da equipe governamental para a disputa eleitoral, Lula expressou o desejo de que seus ministros fossem sucedidos por seus secretários-executivos, com o objetivo de manter a continuidade das diretrizes e entregas da gestão.
Uma exceção a essa regra ocorreu na sucessão do Ministério da Agricultura e Pecuária, que passou ao comando de André de Paula, ex-ministro da Pesca. Até o momento, o cargo de ministro das Relações Institucionais, antes ocupado por Gleisi Hoffmann, permanece em aberto, sem definição para a sucessão.
Fonte: UOL