O presidente Luiz Inácio Lula da Silva relatou ter aconselhado o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), a se declarar impedido em julgamentos relacionados ao caso Master, envolvendo o banqueiro Daniel Vorcaro. Lula citou o contrato do Banco Master com o escritório de advocacia da esposa de Moraes, Viviane Barci de Moraes, e sugeriu que o ministro não permitisse que o caso prejudicasse sua biografia.
Em entrevista, o presidente declarou: “Você construiu uma biografia histórica neste país com o julgamento do 8 de janeiro. Não permita que esse caso do Vorcaro jogue fora a sua biografia”. Ele acrescentou que Moraes deveria informar que sua esposa estava advogando e que ele se sentiria impedido de votar em casos que a envolvessem na Suprema Corte, transmitindo assim firmeza à sociedade.
Lula também comentou que o caso Master prejudica a imagem do STF e, ao abordar a possibilidade de delação de Vorcaro, ressaltou a necessidade de cautela para evitar “delações compradas”.
Eleições 2026
Na mesma entrevista, Lula abordou a possibilidade de disputar a reeleição, criticando adversários que, segundo ele, buscam “consolidar uma ultradireita” e “vender o Brasil”. Ele mencionou as reservas de terras raras como um exemplo do que poderia ser alienado.
O presidente reafirmou que, caso seja eleito democraticamente seu adversário, passará a faixa presidencial em nome da “civilidade”, contrastando com a atitude de Bolsonaro em 2023.
Fundo público e orçamento secreto
Lula criticou o orçamento secreto, afirmando que 60% do orçamento está com o Congresso Nacional e que é preciso “acabar com essa promiscuidade”. Ele defendeu que o orçamento deve ser executado pelo governo, que recebeu o mandato da sociedade para governar.
Sobre o fundo eleitoral, o presidente declarou que o modelo atual dificulta a eleição de novos políticos e transformou presidentes de partidos em figuras semelhantes a presidentes de bancos, levando à “promiscuidade” na política.
Jogos de azar
Ao ser questionado sobre jogos de azar e endividamento, Lula afirmou que, se dependesse dele, o governo “fecha as bets”. Ele classificou o vício em jogo como um problema de saúde pública, citando casos de pessoas que perdem bens e chegam a se matar.