A Justiça dos Estados Unidos autorizou a EFB Regimes Especiais, liquidante do Banco Master, a acessar seis anos de comunicações e registros financeiros de Daniel Vorcaro, controlador da instituição, no país. A decisão, proferida pelo juiz Scott Grossman, inclui intimações a imobiliárias, entidades financeiras, varejistas de luxo e negociantes de arte.
O objetivo da medida é investigar possíveis má conduta e ocultação de ativos que deveriam pertencer aos credores. A defesa de Vorcaro não se manifestou sobre as acusações de fraude e enriquecimento ilícito.
Busca por ativos e transações
As intimações exigem a entrega de seis anos de registros, incluindo procedência de obras de arte, apólices de seguro, contratos de venda e documentos de conformidade, como os de “conheça seu cliente” e anti-lavagem de dinheiro. A intenção é identificar a origem dos fundos utilizados nas transações e determinar se houve irregularidades.
Mansão em Orlando sob investigação
O caso também envolve uma tentativa de venda de uma mansão de US$ 32 milhões em Orlando, na Flórida, pela Sozo Real Estate, empresa ligada ao pai e irmã de Daniel Vorcaro. Segundo a EFB, a venda foi realizada de forma urgente e privada em fevereiro, após o início das investigações, para evitar a descoberta do ativo. A propriedade, adquirida em 2023, possui campo de futebol, quadra de basquete e pista de boliche.
A EFB alega que a Sozo não utilizou o sistema padrão de listagem de imóveis nos EUA (MLS) para a venda, visando evitar o conhecimento público. Além disso, a empresa não teria contratado um advogado independente para representar a negociação, o que seria o procedimento padrão para transações de grande valor.
Processo adversário busca recuperação de bens
Enquanto o processo principal do Banco Master foca na liquidação e administração geral dos ativos, o procedimento adversário contra a Sozo e a família Vorcaro visa recuperar dinheiro ou propriedades. O objetivo é obter sentenças declaratórias de nulidade ou processar os acusados por transferência fraudulenta, conspiração e enriquecimento ilícito.
Fonte: Estadão