O Ministério da Fazenda revisou as projeções para o orçamento federal de 2026, admitindo um erro significativo nas estimativas iniciais. A previsão de déficit primário, que era de R$ 23 bilhões (0,2% do PIB), foi elevada para R$ 60 bilhões (0,4% do PIB), um aumento de R$ 37 bilhões.
O aumento do déficit não se deve a uma queda nas receitas, que foram parcialmente compensadas pelo aumento do preço do petróleo. O principal fator é a subestimação do comportamento das despesas obrigatórias. Informações como o valor do salário mínimo, que impactam diretamente gastos com Previdência, Benefício de Prestação Continuada (BPC), abono salarial e seguro-desemprego, já são conhecidas.
A demografia também é um fator conhecido que influencia a evolução das despesas previdenciárias e do BPC. Apesar disso, a tendência de subestimar despesas obrigatórias, que representam mais de 90% do gasto total, tem se repetido. Em 2025, a lei previa um déficit de R$ 30 bilhões, mas o valor observado chegou a R$ 61 bilhões, com despesas que ultrapassaram em R$ 36 bilhões o orçado.
A previsão para o déficit primário do governo federal é de aproximadamente R$ 80 bilhões. Caso essa projeção se confirme, a equipe econômica precisará recalcular o tamanho do desequilíbrio fiscal em futuras revisões.
A questão fiscal se agrava com a disputa eleitoral acirrada pela presidência. Há um risco elevado de que o governo utilize a abertura dos cofres públicos para aumentar suas chances de reeleição, o que pode levar a um desempenho ainda pior das contas públicas. A afirmação do vice-presidente sobre a necessidade de ajuste fiscal em 2027 é considerada inadequada, pois o momento para tal ação é o presente.
Fonte: Estadão