O ex-presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, manifestou apoio a Viktor Orban em sua plataforma Truth Social, incentivando os eleitores húngaros a votarem no atual primeiro-ministro. A declaração ocorreu na reta final da campanha eleitoral na Hungria, onde os eleitores decidirão o futuro de Orban neste domingo.






Orban, que faz parte da União Europeia (UE), tem adotado uma postura crítica em relação ao bloco e se aproximou de Trump, apresentando-se como um aliado do movimento MAGA (Make America Great Again) na Europa. Ele tem utilizado o slogan “Make Europe great again!”, ecoando a campanha de Trump, e busca alinhar-se com grupos conservadores e anti-imigração no continente.
A relação entre Orban e Trump, e o impacto do apoio americano nas urnas húngaras, serão um indicativo da força do projeto de extrema-direita transnacional defendido por ambos. A estratégia de segurança nacional da administração Trump, divulgada em 2025, já alertava para o que chamava de “apagamento civilizacional” na Europa, criticando a UE e as políticas migratórias que, segundo o documento, transformavam o continente.
Apoio de Trump pode impulsionar Orban?
Apesar do endosso de Trump e da visita do vice-presidente americano JD Vance à Hungria, as pesquisas de opinião indicam um cenário desafiador para Orban. O partido Fidesz tem ficado atrás da oposição liderada por Peter Magyar em diversas sondagens. Analistas apontam que a visita de Vance pode ter servido mais para mobilizar a base de apoio de Orban do que para convencer eleitores indecisos, que estariam mais preocupados com o custo de vida.
A estratégia de Trump e Vance de apoiar a extrema-direita europeia é vista como uma tentativa de construir uma aliança contra a UE, considerada por eles uma instituição liberal que contribui para o declínio da civilização europeia. No entanto, as próprias políticas de Trump, como a guerra comercial e a ameaça de intervenções em outros países, podem ter afastado parte da extrema-direita europeia.
Ascensão da direita “trumpista” na Europa?
O cenário eleitoral na Europa tem mostrado a ascensão de candidatos nacionalistas e populistas alinhados a Trump. Na Polônia, Karol Nawrocki, com apoio do partido Lei e Justiça (PiS), venceu a eleição presidencial após um encontro com Trump. Contudo, nem todos os alinhamentos com Trump resultaram em sucesso, como no caso de George Simion, candidato presidencial na Romênia, que não obteve a vitória apesar de sua aproximação com o ex-presidente americano.
Especialistas observam que, embora o apoio de Trump possa ser um fator, ele não é o único determinante para o eleitorado de direita. A insatisfação com a ordem política estabelecida e questões internas dos países parecem ter um peso maior. A popularidade de Trump na extrema-direita europeia pode estar em declínio, com líderes europeus demonstrando críticas a algumas de suas políticas.
Racha entre Trump e a extrema-direita europeia?
A política externa de Trump, incluindo tarifas e intervenções, gerou críticas de figuras importantes da extrema-direita europeia, como Alice Weidel (AfD) e Nigel Farage. Essas ações foram vistas como violações de promessas de campanha e atos hostis. A proximidade excessiva com Trump pode se tornar um obstáculo para candidatos e partidos na Europa.
Uma pesquisa do European Council on Foreign Relations (ECFR) indica que a influência dos EUA na Europa diminuiu desde a ascensão de Trump ao poder. Apenas uma pequena porcentagem de cidadãos da UE vê os EUA como um aliado, enquanto uma parcela maior os considera um inimigo ou rival. A forma como Orban lidará com essa questão e se o apoio de Trump o ajudará nas urnas húngaras ainda é incerta.
Fonte: Dw