Juros curtos sobem com petróleo e falas de Galípolo

Juros futuros de curto prazo registram forte alta impulsionados pela escalada da guerra no Oriente Médio e declarações conservadoras do presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo.

Os juros futuros de curto prazo encerraram o pregão desta segunda-feira (6) em forte alta, destoando do movimento mais tímido de outros mercados domésticos.

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As ameaças de um ataque mais ofensivo dos Estados Unidos ao Irã reacenderam os temores de uma nova escalada da guerra no Oriente Médio, o que impulsionou os preços do petróleo e, por consequência, as expectativas de inflação do mercado.

Comentários de teor conservador do presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, também apoiaram o avanço dos juros curtos, conforme relataram operadores.

O que você precisa saber

  • A taxa do contrato de Depósito Interfinanceiro (DI) com vencimento em janeiro de 2027 anotou forte alta de 14,045% para 14,17%.
  • A taxa do DI de janeiro de 2028 subiu de 13,735% a 13,825%.
  • A taxa do DI de janeiro de 2029 teve avanço de 13,68% para 13,725%.

Pressão do Oriente Médio

As novas ameaças dos Estados Unidos ao Irã foram o principal ponto de preocupação dos mercados. Segundo o presidente dos EUA, Donald Trump, o país pode “eliminar” Teerã em apenas uma noite. O secretário de Defesa americano, Pete Hegseth, afirmou que o dia de hoje marcará o maior volume de ataques dos EUA ao Irã.

Desta forma, o governo americano realimentou a preocupação do mercado em torno de uma escalada do conflito no Oriente Médio, que tende a pressionar a inflação e o crescimento econômico ao redor do mundo. Se os preços do petróleo se mantiverem acima de US$ 100 por barril por mais alguns meses, a economia global pode entrar em um quadro de recessão.

Visão conservadora do Banco Central

Praticamente de forma concomitante à pressão que as falas de Trump provocavam sobre o mercado de juros, o presidente do BC, Gabriel Galípolo, expressou uma visão mais conservadora durante sua participação em evento organizado pela FGV-Ibre. A principal autoridade monetária do país enfatizou o constante estado de preocupação que caracteriza a vida de banqueiros centrais, em especial em momentos de instabilidade macroeconômica como o atual.

“Parte do trabalho dos bancos centrais é não permitir que choques de oferta se propaguem em efeito de segunda ordem, em especial em uma espiral salário-preço”, alertou o presidente do BC.

Segundo participantes do mercado, os comentários de Galípolo ajudaram a pressionar as taxas de curto prazo, que passaram a precificar uma política monetária mais apertada. “Galípolo foi bem ‘hawkish’ [inclinado a juros mais altos, no jargão do mercado]. Retirou a chance de um corte de 0,5 ponto da Selic do radar”, diz um operador, ao referir-se à próxima decisão do Comitê de Política Monetária (Copom).

No mercado de opções digitais de Copom, a probabilidade de um corte de 0,25 ponto ainda é majoritária, com 48% de probabilidade. Depois, o mercado precifica 22% de chance de um corte de 0,5 ponto e 19% para que a Selic se mantenha no atual patamar de 14,75%.

A guerra eleva riscos inflacionários e complica a vida dos bancos centrais, segundo economistas. O Ibovespa fechou estável após pregão instável com incertezas sobre cessar-fogo entre EUA e Irã.

Gráfico de percentual de juros futuros
Juros futuros de curto prazo apresentaram forte alta.

Fonte: Globo

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