O JPMorgan revisou suas estimativas para construtoras brasileiras e recomenda foco no segmento de baixa renda no curto prazo, mantendo a preferência pela Tenda (TEND3), com recomendação overweight e preço-alvo de R$ 46.


Segundo o banco, a deterioração do cenário macroeconômico, com risco de juros mais altos por mais tempo, favorece uma carteira mais defensiva. Uma eventual alta da inflação pode pressionar os resultados desse segmento.
Tenda: exposição ao Minha Casa Minha Vida e valuation atrativo
A Tenda é a principal recomendação devido à exposição ao programa Minha Casa Minha Vida e valuation atrativo. O JPMorgan aponta potencial de valorização de cerca de 50% até dezembro de 2026. Há possibilidade de revisão positiva do lucro líquido com melhorias no programa habitacional. O múltiplo é de cerca de 6,3 vezes o lucro estimado para 2026, abaixo dos pares. A empresa também oferece opcionalidade de recuperação na Alea, subsidiária de wood frame.
Cyrela e Eztec: rebaixamento para neutro com incertezas macro
O banco rebaixou Cyrela (CYRE3) e Eztec (EZTC3) de compra para neutro, com preços-alvo de R$ 35,50 e R$ 20, respectivamente. Os primeiros trimestres devem ser impactados pelas incertezas macroeconômicas. Cyrela caiu 3,51% (R$ 27,52), entre as maiores baixas do Ibovespa. EzTec teve leve queda de 0,28%, a R$ 14,18.
No caso da Cyrela, o rebaixamento reflete as incertezas macro e o risco de juros elevados por mais tempo, impactando as expectativas de lançamentos e velocidade de vendas no primeiro semestre de 2026. A Eztec deve enfrentar pressão nas vendas de estoque e nos lançamentos devido ao cenário macro e entraves regulatórios em São Paulo.
MRV, Cury e Direcional: recomendações variadas
O JPMorgan manteve recomendação overweight para MRV (MRVE3), com preço-alvo de R$ 11. Para Cury e Direcional, a recomendação é neutra, com preços-alvo de R$ 47,50 e R$ 18,50, respectivamente. A expectativa para a MRV é de forte geração de caixa livre neste ano, refletindo a recuperação operacional e redução de riscos na operação americana Resia.
No caso da Cury, apesar de revisões positivas nas estimativas, a recomendação neutra se deve ao menor potencial de valorização e valuation mais elevado. A empresa deve oferecer dividendos elevados em 2026, próximos de 7%. A Direcional também tem recomendação neutra, baseada na comparação de valuation com pares.
Fonte: Infomoney