Com o fim da janela partidária, a federação União Progressista – formada pelo União Brasil e pelo PP – e o PL emergiram com as maiores bancadas na Câmara dos Deputados. A federação Brasil da Esperança (PT, PCdoB e PV) aparece em seguida.
A janela partidária, período entre 5 de março e 3 de abril, permitiu que parlamentares mudassem de partido sem perder o mandato, conforme permissão do Tribunal Superior Eleitoral (TSE).
União Progressista e PL lideram
O União Brasil informou ter 51 deputados e o PP, 47, totalizando 98 parlamentares na federação União Progressista. Formada em 26 de março, a federação é composta por parte significativa dos deputados do Centrão. Apesar de integrarem o governo, parte de suas bancadas frequentemente diverge do Palácio do Planalto em votações.
O PL, partido do ex-presidente Jair Bolsonaro, declarou um aumento de 87 para 97 deputados, consolidando-se como o partido com mais integrantes na Câmara, embora tenha perdido a primeira posição após a formação da União Progressista.
Federação Brasil da Esperança cresce
A federação Brasil da Esperança, que inclui o PT do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, relatou a manutenção de 67 deputados. O PCdoB, parceiro na federação, expandiu sua bancada de nove para 10 deputados. O PV, também integrante, passou de quatro para sete parlamentares. Juntas, as legendas somam 84 deputados, configurando a segunda maior bancada.
Apesar de ter a terceira maior bancada, a federação liderada pelo PT necessita mobilizar votos de outros partidos, especialmente do Centrão, para aprovar matérias de interesse governamental.
Federações e movimentação partidária
Criadas em 2021, as federações partidárias funcionam como um único partido, com siglas integrantes compartilhando a mesma bancada. Outras federações incluem PSOL com Rede Sustentabilidade e PSDB com Cidadania, com atuação unificada por pelo menos quatro anos.
Na Câmara, cada federação possui um líder para orientar votações e representar a bancada. As federações também atuam em unidade na indicação de lideranças e membros de comissões.
Mudanças em outros partidos
O PSD informou um aumento de 47 para 49 deputados. O Republicanos, partido do presidente da Câmara, Arthur Lira, diminuiu de 45 para 43 integrantes. O MDB também registrou baixa, de 40 para 38 parlamentares.
O Podemos foi o partido que mais recebeu novos integrantes, ganhando 12 deputados e passando de 15 para 27 membros. O PSDB subiu de 15 para 18 deputados, enquanto seu parceiro de federação, o Cidadania, perdeu dois e ficou com apenas dois integrantes.
O União Brasil registrou uma das maiores baixas, perdendo oito deputados. O PDT também sofreu perdas significativas, com sete a menos, passando de 16 para nove deputados.
O partido Missão, associado ao Movimento Brasil Livre (MBL), agora conta com o deputado Kim Kataguiri (SP), totalizando um integrante.
As informações sobre o número de deputados foram fornecidas pelos próprios partidos, mas há divergências com dados divulgados pela Câmara. A Câmara, por exemplo, aponta 44 deputados para o União Brasil e 21 para o Podemos. Os partidos atribuem as discrepâncias à atualização de documentações e homologações em andamento.
A soma dos dados fornecidos pelos partidos totaliza 517 deputados, excedendo as 513 vagas da Câmara. A margem de erro pode estar relacionada à atualização das informações e à contagem que mistura titulares e suplentes.
Senado: PL e PSB lideram saldo positivo
No Senado, pelo menos onze senadores trocaram de partido. PL e PSB registraram o maior saldo positivo, com dois novos nomes cada. Podemos (-3), União Brasil (-2) e MDB (-2) tiveram as maiores baixas.
Senadores podem trocar de partido a qualquer momento, mas para buscar a reeleição precisam estar filiados ao menos seis meses antes do pleito, o que intensificou as mudanças no início do ano.
Entre as trocas notáveis estão Angelo Coronel (PSD para Republicanos), Carlos Viana (Podemos para PSD), Efraim Filho (União Brasil para PL), Eliziane Gama (PSD para PT), Eudócia (PL para PSDB), Fernando Dueire (MDB para PSD), Giordano (MDB para Podemos), Marcos do Val (Podemos para Avante), Rodrigo Pacheco (PSD para PSB), Sérgio Moro (União Brasil para PL) e Soraya Thronicke (Podemos para PSB).
Com exceção de Sérgio Moro e Efraim Filho, cujos mandatos terminam em 2026, os demais terão seus mandatos finalizados neste ano. Seis disputarão a reeleição ao Senado, três tentarão governos estaduais e um não decidiu ainda sobre a reeleição.
Das 81 cadeiras do Senado, 54 estarão em disputa em outubro. Levantamento indica que pelo menos 13 senadores pretendem concorrer a governos estaduais em 2026, e alguns também almejam postos na Presidência, Câmara dos Deputados e Assembleia Legislativa de São Paulo (Alesp).
Fonte: Estadão