Governo promete ajuda a endividados com custos para economia

Governo promete ajuda a endividados, mas medida pode ter custos para a economia e ir contra política de juros do Banco Central.

O governo brasileiro planeja uma nova medida para auxiliar famílias endividadas, semelhante ao programa Desenrola Brasil. A iniciativa visa aliviar o bolso do consumidor em um cenário de alto endividamento, que em março alcançou 80,4% das famílias, comprometendo 29,6% da renda familiar.

O endividamento elevado limita o consumo e o investimento, atuando como barreira para o crescimento do comércio e do Produto Interno Bruto (PIB). Além disso, pode levar à inadimplência, afetando o nome dos cidadãos e complicando sua vida financeira.

Embora a medida possa adiar o aperto financeiro e impulsionar o consumo no curto prazo, ela apresenta custos e limitações. A renegociação de dívidas, mesmo com descontos dos credores, pode não ser suficiente se o devedor não conseguir aumentar sua renda.

Impacto macroeconômico e política de juros

Do ponto de vista macroeconômico, a iniciativa pode ir contra a política de juros do Banco Central, que busca controlar o crédito para reduzir a inflação. Isso pode levar o Comitê de Política Monetária (Copom) a manter a taxa Selic elevada por mais tempo, prejudicando também o devedor.

Ao premiar o endividado e transferir custos fiscais para a sociedade, o governo pode desestimular o bom pagador. Em vez de incentivar a poupança e o investimento, a medida fortalece o consumo, o que, por sua vez, pode resultar em menor crescimento econômico futuro.

Cultura do parcelamento e atuação do varejo

No Brasil, a cultura do parcelamento “sem juros” é uma anomalia que contribui para o endividamento. Lojas frequentemente embutem os juros no preço à vista, fazendo com que o lucro financeiro supere o operacional. Essa prática faz com que os varejistas atuem mais como banqueiros do que como comerciantes.

Para o devedor, o aumento do gasto com consumo pode significar a falta de recursos para investimentos e outras despesas essenciais da família, agravando a situação financeira a longo prazo.

Fonte: Estadão

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