A pressão do presidente Donald Trump para que o Irã reabra o Estreito de Ormuz, às vésperas de conversas diplomáticas, não tem surtido efeito. O trânsito na via marítima vital permanece restrito, em grande parte, a embarcações ligadas a Teerã.


Desde a manhã de quinta-feira, apenas nove navios foram observados passando pelo estreito — cinco saindo do Golfo Pérsico e quatro entrando. A situação ocorre apesar do início de um cessar-fogo condicionado à retomada dos fluxos, conforme anunciado por Washington.
Controle iraniano sobre o tráfego
Dados de rastreamento indicam que embarcações ligadas ao Irã mantêm o fluxo na região, enquanto outras empresas adiam viagens. Entre os navios observados, estava o petroleiro Suezmax Tour 2, transportando cerca de 1 milhão de barris de petróleo iraniano. Um superpetroleiro russo, o Arhimeda, seguiu na direção oposta, rumo ao principal terminal de exportação do Irã na Ilha de Kharg.
A capacidade do Irã de controlar a passagem por Ormuz demonstra o firme domínio sobre o estreito, essencial para a economia global. Trump criticou a situação, afirmando que o Irã tem feito um “trabalho muito ruim” ao permitir a passagem de petróleo e que o fluxo voltará, “com ou sem a ajuda do Irã”.
Ataques à infraestrutura saudita
A Arábia Saudita relatou uma série de ataques contra sua infraestrutura crítica de energia, que interromperam a produção de petróleo e gás e afetaram o abastecimento de mercados globais. Os ataques atingiram estações de bombeamento e outras instalações importantes.
Especialistas apontam que o conflito com o Irã continua e os fluxos de petróleo não foram retomados, levando a expectativas baixas quanto a uma retomada realista do trânsito em Ormuz. A situação é agravada por ataques contínuos à infraestrutura saudita.
Fluxo restrito e dados de rastreamento
Embora vários superpetroleiros tenham se aproximado do estreito, nenhum realizou a travessia de saída do Golfo Pérsico. As travessias observadas ocorreram por um corredor ao norte do estreito, entre as ilhas iranianas de Larak e Qeshm.
O rastreamento de navios é dificultado por interferências eletrônicas e pelo desligamento de transponders AIS em áreas de risco, o que compromete a confiabilidade dos dados. Embarcações aguardam próximas à entrada do estreito para zarpar assim que a passagem for reaberta.
Fonte: Infomoney